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ARTE FACTOS

Antonio Pessoa
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António Pessoa. Hoje e Amanhã... António Pessoa, hoje é mais que un artista, mais que um comunicador do universo plástico contemporâneo, mais que um modelo que muitos colegas de oficio e profissão tentam seguir. António Pessoa hoje é uma Marca, uma referência exacta dentro do núcleo artistico total. Um jovem artista prematuramente bem instalado no projecto de vida, familia e profissão que ele e os seus colaboradores souberam inteligentemente conceber, pacientemente estruturar e agora, em jeito de manutenção vão seguindo o mesmo critério de dinamismo, sobriedade e equilibrio, elementos os quais justamente se adaptam como uma luva à personalidade contemplativa do artista. Entre a figura pública e o homem, existe a mesma diferença que entre o dia e a noite. É muito frequente ainda que muitos se enganem na hora de avaliar António Pessoa, não na sua indiscutivel qualidade artistica, mas sim na sua postura pessoal perante a vida, perante si mesmo, perante os que o rodeiam e num caso muito particular e crucial, perante o mercado da arte e todos os que nele estão directa ou indirectamente envolvidos. Frequentememte criticado por ser arrogante, altivo e até déspota, apenas felizmente, por aqueles que não o conhecem, para não falar dos invejositos de meia tigela que da má lingua se viciam porque melhor não sabem fazer nem dizer; António Pessoa sem grande esforço, diga-se de passagem, faz ouvidos de mouco, já que tudo joga a seu favor para dar-se ao luxo de não fazer caso a escupidelas sem saliva e mordidelas sem caninos. Nada melhor que para um pintor do seu calibre para pura e simplesmente estar-se nas tintas... e mesmo que não estivesse, verdade seja dita, também não teria tempo para isso! Claro que me refiro essencialmente a galerias de arte da segunda divisão que pensam que são grande coisa, aparentando aquela altivez saloia dos pobres pretenciosos a Jet Set com patéticos ares de snobismo de curso por correspondência, uma formação artistica empiricamente insuficiente e pior de tudo uma perspectiva do mercado de arte global absolutamente obsoleta e desqualificada. Uma vez mais, perante esta hilariante realidade, António Pessoa desconsoladamente não tem outro remédio que recorrer (metaforicamente falando) a anestesia local! Desliga, esquece e ponto final. Hoje, como se não bastasse o Ciclo Zodiaco para lhe tirar toda a produção actual das mãos e garantir-lhe um nivel de vida muito mais além das suas necessidades básicas, por assim dizer... Hoje, como se não bastasse o infinito leque de luxuosos hoteis prontamente disponiveis para expõr a sua Obra... Hoje, artista António Pessoa, é um profissional que sabe com milimétrica precisão aquilo que quer, como, quando e onde... e em que bases de acordo e modelo de trabalho poderá eventualmente colaborar com as Top galerias de arte. Isto nada tem a vêr com arrogância, mas sim, aliás como qualquer cidadão com dois dedos de testa pode facilmente concluir, com um elevado grau de exigência, um notável calibre de honestidade, postura, atitude e principalmente um imaculado sentido de profissionalismo! É este António Pessoa, um corajoso homem que sobreviveu com notável dignidade e dedicação, a todos estes anos de boas e más experiências no mercado da arte contemporânea, absorvendo e assimilando conhecimentos, ensinamentos, calo e maturidade. Ao que tudo indica o artista e comunicador, Hoje... prepara-se tranquilamente para o Amanhã, na certeza porém de que na pior das hipóteses tudo irá ser estruturado da única forma possivel. À sua maneira! Por conseguinte, o inventor da New Era, ainda vai dar muito mais que falar, mas decididamente à sua maneira e tudo o que não vá de encontro a este nobre conceito é o mesmo que dizer que nunca aconteceu nem vai ter lugar. António Pessoa deste modo e desta maneira, acaba não só por estar no mundo da arte com nobreza, prestigio, dignidade e profissionalismo, como também por enobrecer, prestigiar e engrandecer a classe dos jovens artistas plásticos. Efectivamente desde hà uns tempos até à data , António Pessoa é sistematicamente consultado por colegas artistas de todos os cinco continentes, pedindo-lhe conselhos na esperança de obterem respostas a infindáveis e tumultuosas dúvidas, na esperança de sentirem nas mãos o molho de chaves capaz de abrir algumas portas deste mundo elitista e impiedoso que é o mercado de arte hoje em dia. António Pessoa, um homem com o mundo nas mãos,não se esforça por aparentar humildade, pois a sua é legitima, natural e latente.Um artista português que embora tranquilamente soberano, não deixa para amanhã o que pode fazer hoje. Um homem sobriamente tranquilo, porém decididamente um homem de acção. Sem dúvida as qualidades flagrantes que o têem transportado sem especial esforço até ao lugar ao sol onde hoje se encontra, não menosprezando a sua inegável genialidade ,esse talento exuberante e abundante, o qual aliado a uma estranha e rara capacidade laboral, fazem a quimica, o Todo, o fenómeno, a marca António Pessoa. Amanhã, que é quando o hoje deixa de ser hoje para ser ontem, o artista português uma vez mais viaja a Nova Iorque,Chicago,Los Angeles e San Francisco para reestabelecer o ideia do seu Projecto. Escusado será dizer que não serão necessários grandes preâmbulos de retórica,nem exaustivas sessões de negociações bilaterais, como quem desesperada e obstinadamente busca soluções mediocres "alternativas". Efectivamente, António Pessoa desde hà muito tempo que leva "take it or leave it" escrito no brilho do seu olhar, na imobilidade desconcertante que só uma profunda segurança e tranquilidade permitem. E como se tudo isto não fosse mais do que suficiente, a New Era do artista luso atingiu o centro do alvo, apanhando o mundo intelectual de surpresa e colocando o conceito de arte contemporânea numa situação embaraçosamente dificil. António Pessoa, sem tirar nem pôr, sem pré-avisos, enfadonhos preliminares, voluminosas teses nem conferências de imprensa, deu o seu vanguardiata conceito denominado Contemporary Plus como dado adquirido, pintado e assinado. Dito e feito, sempre invariavelmente à sua maneira! E à sua maneira será! Contemporary Plus, fez com que a muitos se lhes caissem os dentes, ainda não de todo recuperados do impacto da New Era- António Pessoa, o conceito aparentemente inocente e aparentemente simplesmente estético de Contemporary Plus, vai tomando gradualmente uma função clinicamente devastadora, de facto provocando um efeito que vai fazendo com que a noção de arte contemporânea seja uma corrente digna de museu, dignamente "démodé",elegantemente ultrapassada e historicamente arquivada! E a questão que fica por agora suavemente pairando no ar, é: Que mais cartas-surpresa terá António Pessoa escondidas na manga? Um Ás de Ouros? Suites Alba Resort & Spa Praia da Albandeira apto. 1025 Carvoeiro ~~ Algarve ~~ Portugal www.suitesalbaresort.com tel . 00351 282 380 700 Exposição de pintura . António Pessoa Primavera e Verão Parece que afinal de contas o artista consegue fazer prevalecer a sua vontade, dando-se a conhecer um pouco mais no seu próprio país. Pois, vejamos se para a pintura tem demonstrado ter engenho e arte para dar e vender, faltava tirar a prova dos nove,se ainda assim António Pessoa conseguia convencer Vicente Fernández Lago, a decidir-se finalmente a divulgar de uma forma mais adequada, a sua obra em terras lusas. O Sr. Fernández Lago, apesar da fama que tem de ser um homem teimoso e muito fiel aos seus caprichos, no que se refere a António Pessoa felizmente sempre parece fazer uma pausa na sua obstinada natureza, concedendo ao artista, por respeito, por hábito e também às vezes até por distração, essa cedência por influência de uma simpatia moral e vamos lá vêr, até mesmo pragmática. E o resultado começa a estar à vista com três "long play"exposições simultâneas e outras que tantas já programadas para esta temporada de Primavera-Verão na bela Galiza. António Pessoa precocemente reformado, que é como quem diz, como se sabe, porém pelo menos na sua atitude e modelo de vida dá visiveis sinais de estar bem onde está, restringindo o seu circulo de amigos intimos ao minimo imprescindivel e desta forma preservando uma certa qualidade social, que não só o inspira e o enriquece espiritualmente, como o vai por assim dizer protegendo de más influências e de interferências negativas. Intrinsecamente desinteressado por questões mundanas como fama, dinheiro, compromissos sociais cerimoniosos e acima de tudo cada vez mais insensível ao ritmo estupefaciente das grandes urbes, Home Studio-Antonio Pessoa reveste-se cada vez mais de uma atmosfera de trabalho plástico,silêncio e pensamento,estudo,análise politica e social, invenção, lazer e contemplação. Esta exposição patente ao público todos os meses de Primavera e Verão adapta-se bastante ao critério estético e até climático de António Pessoa, artista bastante habituado à atmosfera da Dolce Vita do sul da Peninsula desde a sua adolescência, apesar de ter vivido seis anos entre Londres e Amsterdam. Ainda que Worlwide seja um projecto que lhe vai exigir ceder e abdicar do conforto semi-tropical no qual se encontra como um peixe dentro de água, para enfrentar-se à turbulência de cidades como Nova Iorque, Chicago, Los Angeles, Dallas e até mesmo em sua casa, Barcelona, facto que verdade seja dita para o artista consiste muito mais em sofrimento do que em prazer, António Pessoa faz o sacrificio e toma inteiramente a responsabilidade perante si mesmo e naturalmente perante os muitos colaboradores que dependem e vivem exclusivamente do e para o projecto. Obviamente ainda sem certezas concretas é contudo muito possivel que o pintor português venha durante estes meses de Primavera e Verão a marcar algumas vezes presença neste paraiso algarvio, obviamente dependendo também da sua voluminosa agenda. Tendo sido sempre a sua região favorita em Portugal, onde o artista já viveu e passou longas temporadas desde a sua adolescência, o Algarve continua a provocar-lhe essa sensação de bem-estar e êxtase o que muito provavelmente pode significar que de facto apareça por aí, quanto mais não seja para dar um ar da sua graça. Sém dúvida que vale a pena se a alma não é pequena, pegar na familia, meter-se no Popó e vir até cá aos belos Algarves, claro está no Carvoeiro, Suites Alba Resort & Spa, em jeito de férias e naturalmente com os sentidos apurados para visualizar uma das colecções hoje em dia, mais representativas das artes plásticas portuguesas. António Pessoa Expo Norte http://xornalgalicia.com/print.php?sid=18845 Hotel Albergaria Don Manuel e Galeria Dorian, apresentam Expo Norte - António Pessoa .2007 Hotel Alberg. Don Manuel tel . 251 809 700 . Rua da Igreja nº1 Gandra, Valença . Portugal Mais uma vez,depois de dois anos, Hotel Albergaria Don Manuel abre as suas portas ao público galego e do norte de Portugal para outra retrospectiva da Obra de António Pessoa. Ao que parece segundo fontes fidedignas muitas outras exposições do artista luso estão previstas aqui mesmo no jardim à beira-mar plantado. Justamente a Obra que por estas terras galaico- portuguêsas foi aqui executada pela inspiração e mãos do artista, parece que por cá fica ,pelo menos na sua esmagadora maioria. No periodo de Vigo, 1997-2002 , mais de 3.000 óleos sobre tela nasceram para a eternidade no estudio de António Pessoa, para não falar das centenas de aguarelas, técnicas mistas e acrílicos sobre papel. Conveniente também é não esquecer que o controverso album Black and White foi concebido e editado no espaço destes super-produtivos anos. Após uma época de relevante trabalho do autor nos primeiros anos da década de 90,estimulada e comercializada por Alfredo Moreira enquanto António Pessoa viveu no Porto; Vigo, Galiza, Espanha recebe de braços abertos um artista português até à data desconhecido em terras do Finisterre. Vigo será, durante cinco divertidos anos de intensa fertilidade artística, a cidade onde Antonio Pessoa vive e trabalha e se apaixona pela terra e pelas suas gentes, inclusive acabando por contrair matrimónio com uma espanhola. António Pessoa acaba por tornar-se no artista luso mais conhecido em terras galegas de todos os tempos. Hoje em dia nem mesmo Vieira da Silva parece gozar de tanta popularidade. Numa terra de boa gente, mas onde os portuguêses até há pouco tempo eram olhados de soslaio, António Pessoa consegue a proeza das proezas tornando-se decididamente num excelente embaixador de Portugal. Porém, o artista desde muito jovem habituado aos pros e contras de se ser estrangeiro (...e português!) em vários paises europeus, nomeadamente em Amsterdam e Londres onde viveu durante seis anos...em terras galegas não se deixa ficar pela simples visita, mas sim acaba por ser aceite como património cultural da velha Galiza. Lorenzo Quinn, filho do mesmíssimo Anthony Quinn, em finais dos anos 90 na noite da inauguração de uma exposição de esculturas de sua autoria, nada mais nada menos que no prestigioso Club Financiero de Vigo conhece António Pessoa e incute-lhe, por assim dizer, um bichinho chamado Barcelona. O artista luso ainda solteiro e depois já casado faz diversas viagens à cidade Condal, BCN, Sitges e Castell Defels, acabando por instalar-se em Barcelona em meados de 2002. Aqui começa uma nova etapa da sua vida e muito particularmente a sua expansão na Europa e Estados Unidos. Vicente Fernández Lago, Luis Santiago, Nancy Igartiburu, Jacob Kotsky e Pierre Fontanals (entre outros) acompanham-no nesta dificil mas fascinante aventura. Brigitte Lucas e Agnès Teixidó colaboram com o projecto de António Pessoa em Barcelona e David Leonardis em Chicago.2004 é um ano decisivo na carreira do artista na medida em que por uma serie de merecidas e devidas circunstâncias é catapultado para uma nova escala de valor e reconhecimento ibérico e internacional. Talvez para desanuviar do reboliço da grande metropolis, António Pessoa em 2005 consegue uma autêntica pechincha e compra uma casa-estudio em Santa Eulalia, Ibiza, aquilo a que o artista não tardaria em chamar Home Studio. Home Studio - António Pessoa tem-se tornado quase numa lenda, como se de uma marca se tratasse, mas essencialmente o retiro paradisiaco de um homem que adora o mar, sol e natureza. Tirando partido da situação, Pierre Fontanals, Luis Santiago e o erudito Mr. Jacob Kotsky aproveitam a ideia do Home Studio para criarem um espelho mediático da verdadeira alma do artista. A partir de 2005 Antonio Pessoa regressa a Portugal e Galiza com certa assiduidade, no entanto sempre de maleta na mão e mais o seu habitual ar de resignação de um homem que no fundo o que mais lhe apraz e o faz realmente feliz é sem tirar nem pôr o velho critério de amigos amigos, negócios aparte, profissão muito bem, mas paz e sossêgo. Enquanto Vicente Fernández Lago e os seus colaboradores locais preparam uma serie de exposições em Portugal e Galiza,2007, Antonio Pessoa faz os últimos preparativos para mais uma vez enfrentar o seu grande amor e a sua grande dôr de cabeça. Nova Iorque! Home Studio em Ibiza fica à espera do regresso do dono da casa,s em dúvida uma promessa de mais uma longa temporada de invenção, trabalho e Obra no seguimento da sua nova linha pós-contemporânea, The New Era. E ainda teimam alguns em dizer que já está tudo inventado? Se muitos pensam, e a verdade é que pensam, que grande parte de êxito de António Pessoa foi tudo uma questão de sorte, estão redondamente enganados. Talvez, digamos, que muito possivelmente o artista tenha nascido com o "coiso" virado para a lua, mas o mais certo e justo é efectivamente concluir que Pessoa...António parece ter sempre sabido fazer-se rodear e acompanhar de colaboradores não só multifacetados mas essencialmente inventivos. E um grande exemplo desta teoria foi a posta en prática do Ciclo Zodiaco em 2003, já o artista vivendo e trabalhando em Barcelona. Tanto Luis Santiago como Pierre Fontanals mostraram-se à altura da situação tanto mais que a operação foi concluida com extrema eficácia, organização e actuação em termos de tempo real, aquilo que no corrente anglicismo se conhece por "Timing". O Ciclo Zodiaco, inventado por Gala e Salvador Dali em Paris em plenos anos 30, baseava-se na idea de que cada coleccionador de arte se comprometia a adquirir um quadro do artista catalão uma vez por ano. Isto somado por algumas dezenas de coleccionadores permitiu a Gala e Dali usufruir de uma metódica situação financeira que por assim dizer lhes permitia um nivel de vida adequado às extravagâncias do casal sem deixar obviamente de mencionar o facto que esta tranquilidade económica fez com que o então jovem surrealista pudesse de facto dedicar-se de corpo e alma ao trabalho sem a necessidade de fazer qualquer tipo de cedências. Dito e feito. Pierre Fontanals conhecedor deste modus operandi, aproveitando eu desde já a oportunidade de referir e salientar o facto de que seus pais eram amigos intimos de Salvador Dali, convence António Pessoa a fazer o mesmo, ou pelo menos a editar uma nova versão da ideia.O sitio e o momento eram mais que propícios ,isto é, Barcelona 2003, precisamente numa altura em que a Obra do artista luso começa a chegar e a suscitar interesse não só na Europa como também no outro lado do Atlântico, nomeadamente Chicago e Indianopolis. Por conseguinte, mãos à obra e a arregaçar as mangas. Pierre Fontanals, António Pessoa e Luis Santiago, com a imprescindivel participação de Vicente Fernández Lago, começam a recompilar todos os clientes da Obra do artista até à data. Em 2003,segundo fontes fidedignas o resultado final ascendia a mais de um milhar de regulares. O projecto e o programa do Ciclo Zodiaco foi enviado imediatamente via postal ou e-mail, obtendo num curto espaço de tempo uma adesão satisfatoriamente surpreendente. Deste modo António Pessoa libertava-se de compromissos pouco aliciantes com galerias de arte, passando a vender directamente aos coleccionadores e a organizar exposições da sua Obra por sua própria conta e risco. A sua situação financeira triplicava de un dia para o outro, um fundo de maneio que o artista e os seus colaboradores através de um excelente trabalho de equipa não perderam tempo em investir, viagens Europa e Estados Unidos, longas estadias em luxuosos hoteis, web designers, e dinner-parties onde era convidada a elite de Barcelona, potenciais novos coleccionadores, jovens criticos de arte de toda a zona Euro e como não podia deixar de ser directores de galerias de arte, os quais mesmo não usufruindo do privilegio de se encontrarem no top 10 dos VIP, dadas as novas circunstâncias, também não eram nada para se deitar fora. António Pessoa ,mais do que nunca antes, envolve-se num sistema de trabalho, divulgação e comercialização da Obra, totalmente independente do lento e entediante esquema das galerias de arte. Muito mais que proveito financeiro, estimulo laboral e satisfação pessoal, o Ciclo Zodiaco traz à vida de António Pessoa uma refrescante dose de adrenalina, inspiração, tranquilidade e decididamente, motivação. Hoje em dia e graças ao Ciclo Zodiaco, o artista luso conta com um número, a bem dizer, inconfessável de clientes regulares da sua Obra, que em última análise lhe permite dar-se ao luxo de efectivamente poder escolher as opções e situações que mais lhe agradam e certamente as mais adequadas ao seu temperamento, Obra e ambições . Enquanto os lobos uivam e os cães que ladram... não mordem, Mr. Jacob Kotsky, amigo pessoal de Vicente Fernández Lago e amigo intimo e estreito colaborador de António Pessoa desde finais dos anos 90,a partir de 2003... começa a interessar-se pela feitura da biografia do ainda jovem artista. Em 2003 escreve um sem número de artigos sobre a vida e Obra do pintor, traduzidos do inglês ao castelhano por Luis Santiago e editados na publicação do catálogo La Época Romântica de António Pessoa. No entanto só em 2006 Jacob Kotsky começa realmente a escrever a um ritmo acelerado, os capitulos mais interessantes e relevantes da vida e Obra do artista. Ainda que About Antonio Pessoa, um livro que promete e compromete, por agora não passe de uma infinidade de apontamentos dispersos e anacronicamente fragmentado, tudo indica que venha a ser muito brevemente uma realidade enciclopédica, biográfica, mordaz e sobretudo profundamente analítica. Através desta biografia o leitor viaja no tempo até aos dias em que António Pessoa vive entre Londres e Amsterdam, ganhando a vida como pianista e já estabelecendo seriamente uma forte relação com as artes plásticas. O adolescente António Pessoa entra no mundo da pintura com a naturalidade desconcertante daqueles a quem o talento não lhes falta. Num caso muito particular ,Amsterdam é uma cidade em plena ebulição social, cultural e cosmopolita, o palco perfeito para um jovem curioso e irrequieto. Enquanto Portugal, mergulhado num conturbado periodo pós-revolução e pós-guerra colonial teria sido o golpe de misericórdia para um espirito sensivel e já habituado ao avanço social do norte da Europa, para António Pessoa, Holanda é um quarto de brinquedos, que é como quem diz,um epicentro de actividades diversas como música, teatro, arte... e sexo!, que o artista aproveita e assimila ,desenvolvendo a sua intuição emocional e criativa e projectando-a sem pedir licença em todas as actividades em que participa, música, teatro e finalmente a pintura. António Pessoa vive seis anos em Amsterdam (ou Amsterdão!), seis intensos e aventureiros anos trespassados aqui e acolá por algumas timidas e curtas visitas ao seu pais de origen, ainda muito a preto e branco para o apetite cromático do jovem talento. Contudo estes loucos e felizes tempos em terras flamengas, são ciclicamente interrompidos pelas inúmeras visitas que faz a Paris, Londres, Berlim e Copenhaga (Copenhagen!).António Pessoa de "blue jeans" e "moon beams", também visita Veneza, Grécia e por duas vezes Marrocos. Umas vezes só, outras vezes com amigos e por último com a sua companheira holandesa, Yvonne Smit. Também é com Yvonne Smit que António Pessoa passa os seus últimos tempos na Holanda, vivendo sete meses em Groningen e regressando a Amsterdam para uma derradeira despedida. Estamos em meados dos anos 80, quando o artista com vinte e poucos anos de idade regressa ao Porto em jeito de visita de médico, para logo viajar para o Algarve e sul de Espanha, onde durante alguns anos interrompe drasticamente a sua actividade pictórica, vivendo única e exclusivamente da música, tocando o piano em hoteis e pubs desde Albufeira até Málaga, desde Torremolinos até Ibiza. É esta ilha balear que António Pessoa visita pela primeira vez com apenas quinze anos de idade, que muito anos depois vai ser o seu cantinho paradisiaco e o seu Home Studio semi-tropical. Em 1998 o artista luso viaja de automóvel até à sua querida cidade holandesa para um reencontro depois de tantos anos. No entanto só a partir do momento em que se instala em Barcelona, António Pessoa desloca-se a Amsterdam com frequência entrando em contacto com velhos amigos e fazendo novas amizades, desta vez quase todas elas de uma forma ou de outra directamente envolvidas no mundo das artes plásticas. Em última análise se Porto é a sua cidade Natal, para António Pessoa, Amsterdam, Nederland, ficou, é e sempre será decididamente uma das suas cidades favoritas! António Pessoa regressa ao Porto em finais dos anos 80 para se reencontrar com um animado turbilhão de amigos e predestinado a conhecer outros tantos. Comodamente instalado no seu espaçoso T4, apetrechado com o excelente piano de marca Pleyel ,uma prenda vitalicia da sua avó paterna, encontra igualmente neste apartamento os metros quadrados mais que imprescindiveis para retomar a actividade plástica. Em contraste com La Vída Loca do sul de Espanha, a cidade do Porto parece-lhe envolta num manto de nostálgica melancolia. A sua adaptação a este ambiente ao principio parece-lhe rigorosamente impossivel, contudo os amigos de colégio e os novos com quem vai estabelecer relação, acabam por fazer peso na sua decisão de ficar por algum tempo. Mãos ao trabalho e em escassos meses o atelier da cidade Invicta já dá sinais de intensa actividade e mais importante sinais efectivamente palpáveis de prolífera produção artística. António Pessoa imediatamente despacha os seus piores trabalhos vendendo-os aos prestigiosos leiloeiros de Mouzinho da Silveira e a um marchante de Fonte da Moura que avidamente compra tudo o que o artista lhe disponibiliza. No entanto as suas obras primas vão sendo meticulosamente seleccionadas e armazenadas para eventos de, digamos, mais prestigio. António Pessoa conhece por fim Ana Ferreira Mendes, então sub-directora de informação da RTP Porto, com quem passa a viver em regime semi- matrimonial. Ana Mendes interessa-se não só pelo artista como pela sua arte. Prepara- lhe uma serie de exposições, nomeadamente no casino de Espinho, galeria das caves Sandman, casino da Póvoa e finalmente a apoteose desse programa tendo lugar no Hotel Le Meridien. Para grande surpresa do artista, aliciante surpresa, imagino, metade das obras expostas foram vendidas na noite da inauguração. Ana Ferreira Mendes, devido à sua posição no seio da RTP Porto,tinha feito questão de preparar uma razoável cobertura mediática, convidando os seus mais proeminentes amigos da alta esfera portuense; e como amigos dos nossos amigos nossos amigos são, a Vernissage acabou por ser um desfile de alta costura, má lingua, beijinhos e palmadinhas no ombro, um patatipatatá que se prolongou pela noite dentro, mas que sem tirar nem pôr acabou por mostrar ao jovem António Pessoa que nem tudo o que reluz é ouro e que a sua Obra era altamente aplaudida na sua cidade Natal. Mas apesar de tudo e do grande êxito então, ainda não foi dessa que o irreverente artista ganhou o gosto pelas ruidosas vernissages. De facto os próximos anos vão corroborar esta afirmação na medida exacta em que António Pessoa muito raras são as vezes em que efectivamente comparece às inaugurações, quer porque se encontre num outro lugar e num outro fuso horário, quer simplesmente porque tanto quanto se sabe, sustenta a opinião de que a Obra fala por si e a presença obrigatória e protocolar de quem a deu à luz é justamente uma situação supérflua e até de inspiração exibicionista, logo perdoável. Esta exposição não tendo sido necessariamente o despoletar de um entusiasmo latente, terá sido segundo a lei das probabilidades um binóculo de alta precisão, mostrando uma perspectiva de futuro artistico profissional, o qual como hoje sabemos de facto acabou por se concretizar. E para, enfim, comprovar a minha tese, verificamos que nos anos que se seguiriam, artista António Pessoa gradualmente vai moldeando a sua forma de viver no formato atípico que lhe é peculiar. A sua carreira desenvolve-se com soltura, sorte, organização mas também inevitavelmente apoiada por uma razoável habilidade de liderança, porém curiosamente contrastada por um paralela postura de descompromisso, como que salvaguardando uma integridade interior, uma forma de viver e gestionar o espaço e o tempo, como só os soberanos do Renascimento sabiam fazer. Apesar de que a sua conversão a tripeiro de gema nunca se tenha por assim dizer concretizado, António Pessoa efectivamente e para sempre fica a dever à cidade que o viu nascer,o grande arranque profissional, bem como um status financeiro muitissimo acima do que se poderia esperar para um jovem artista récem-chegado ao mercado e ao mundo da Arte. E resumindo e concluindo, a exposição no Hotel Le Meridien fica como um marco histórico na vida e Obra de António Pessoa, talvez a fronteira entre o irresponsável, delicioso mundo de aventuras e o pensamento plástico erudito, desenvolvimento técnico, relação artista - temática, levado ao expoente máximo da Arte por excelência! Arte, Antonio Pessoa - Arte é um conceito absolutamente português, visando uma nova aposta do artista em território nacional, com uma linguagem e expressão adequadas às nossas gentes, sem pretender entrar em pretenciosismos de pseudo-erudição, mas pelo contrário fazer chegar a arte e o artista preferivelmente a uma vasta camada da população.Estamos aqui com essa atitude apoiada pelo próprio artista, o qual precisamente acredita que é tempo de mudar um pouco as coisas ( para melhor!),no sentido de partilhar uma forma de literatura visual tão bela como as Belas Artes e quase tão bela como o belo país que é Portugal. Comentava recentemente Pierre Fontanals num artigo sobre António Pessoa para o Xornal Galicia, o estigma de Portugal viver ainda numa atmosfera terceiro mundista, referindo-se ao facto de só abraçar os seus valores ou a titulo póstumo ou quando depois de triunfarem no estrangeiro e chegados a uma idade avançada receberem por fim (que remédio) o reconhecimento atrasado do país que os viu nascer. Pensem o que quiserem, especialmente aqueles que pouco se aventuram no país vizinho, seja em trabalho ou lazer, mas o certo é que estas piadinhas subtis aos espanhois "les encanta!". Pierre Fontanals, aliás um bom rapaz e grande amigo nosso, pense ele o que quiser. Verdade seja dita aqui estamos nós para pelo menos tentar virar tudo ao contrário. António Pessoa é nosso, pertence-nos e tudo o que estiver ao nosso alcance, não pouparemos esforços em estabelecer uma relação desde há dez longos anos em Stand By. Por estas e por outras, Arte - António Pessoa - Arte, tem como objectivo primordial aproximar o artista de Portugal e vice-versa. Se para Vicente Fernández Lago, administrador da Obra do artista na Galiza e Portugal, tanto se lhe dá como se lhe deu esta situação de "nem de mãos dadas nem de costas viradas",para Luis Santiago o caso muda de figura, já que independentemente do facto de ser amigo intimo e colaborador de António Pessoa, vive em Barcelona hà mais de trinta anos e é com especial orgulho que testemunhou e testemunha a crescente reputação e cotação internacional do artista, concluindo sem o minimo vestigio de mania das grandezas que António Pessoa é um dos grandes embaixadores de Portugal no mundo da arte contemporânea. António Pessoa, para o qual esta triste "irrealidade!!" parece, enfim, coisa de pouca monta, de certeza não perdendo sequer uma hora de sono por esta causa sem causa, contenta-se e até se poderia dizer que se dá por satisfeito com a atenção global que o seu trabalho vai despertando, dando-lhe até, a bem dizer, um certo prazer em poder gozar de um quase total anonimato sempre que visita Portugal. Para Don Vicente Fernández Lago, as razões que vão alimentando esta balsâmica indiferença são mais que lógicas, pois , verdade seja dita e publicada, realiza-se bem mais comercialmente com a Obra do artista português em Espanha do que no Reino de Sócrates! Carvalho Pinto de Sousa Land! Arte - António Pessoa - Arte, é um projecto de tranquila comunicação, no idioma de Camões, apenas um projecto, não uma revolução. Os portuguêses decididamente que o merecem, justamente agora em que tão na moda está essa coisa dos Grandes Portuguêses. E falando no Diabo, uma coisa do arco-da-velha, já que Maria João Pires ficou nos últimos dos cem e o António Oliveira...bem mais à frente, e escandalizado ficou o Dr. Mário Soares .E esta, hein? Cá por mim, com certa razão. E a questão fica no ar!Será que os portuguêses sentem desesperadamente a falta de Grandes Portuguêses ou será que os Grandes Portuguêses sentem a falta de Portugal? Arte - António Pessoa - Arte tenta de alguma forma contribuir para a eliminação deste lapso, ainda de todo não crónico ,porém roçando a tragico-comédia. Luis Santiago(Barcelona),Rafael Medina (Lisboa-Madrid), Veronica Amaral (Lisboa), Gabriela Hoffman (Estoril) e eu própria, por agora constituimos o Todo desta transpiração de pura carolice, ainda que muito generosamente António Pessoa nos continue decorando as paredes de nossas casas com o que ele melhor sabe fazer. Pintura! E efectivamente é a pintura de António Pessoa que tencionamos divulgar ao público português um tanto ou quanto adormecido com papas de sarrabulho e "Morangos com Açucar"!!! A ideia de Luis Santiago deu-nos um entusiasmo que sem sabermos nos faltava. Merecemos finalmente uma referência cultural com pés e cabeça e decididamente pernas para andar. Arte - António Pessoa - Arte, acaba por reunir cinco pensamentos num só discernimento. Uma equipa consciente de que algo de muito importante no seio da arte contemporânea se está a passar. Um algo muito artistico, genial e muito português, o inventor de si mesmo e agora que já não restam dúvidas, o inventor da Nova Era ! Para todos os efeitos, pensem e digam o que disserem, a grande verdade é que foi em Portugal e muito particularmente na cidade do Porto que o jovem artista António Pessoa marca o golo da tranquilidade e do dia para a noite passa a regime de pintor profissional. Dito e feito, tiro e queda. O artista conhece Alfredo Moreira um art dealer atípico, já que de um verdadeiro gentleman se trata. Durante oito produtivos anos estabelecem uma relação de cumplicidade, amizade e profissional, estimulando e desenvolvendo uma situação de profuso dinamismo ,quer no âmbito da produtividade artistica, quer no campo de estratégia comercial propriamente dita. Alfredo Moreira sabe criar, desenvolver e manter uma agenda de clientes por todo o país, enquanto António Pessoa, desde muito cedo começando a fazer justiça à sua reputação de excelente profissional... entrega-se ao oficio das artes plásticas com unhas e dentes, a um ritmo de fabricação, dizem os entendidos, só comparável a Pablo Picasso. E do dia para a noite, o jovem pintor torna-se num campeão de vendas o que leva Alfredo Moreira a não hesitar, passando a comprar pontualmente toda a sua produção. António Pessoa, independentemente do facto de aos vinte e muitos anos gozar do privilégio de uma situação financeira mais que invejável, progride a passos largos tanto no dominio técnico como nas possibilidades temáticas, de pura expressão plástica, pensamento e inspiração. Estes são os Anos Dourados em que o artista pela primeira vez na vida tem a certeza de que só há um caminho. Arte! Os seus tempos de nómada caprichoso e Dolce Vita mediterrânica iam ficando nas brumas da memória, para darem lugar a um novo periodo, uma nova maturidade e um estilo de vida radicalmente diferente. António Pessoa é agora um homem financeiramente privilegiado e artisticamente estimulado e realizado. Contudo, não por uma questão de humildade gratuita mas sim ,melhor dizendo, por pura consciência filosófica; não se deixa ofuscar pelo brilho do sucesso nem se deixa ensurdeceder pelo som estridente dos clarins da vitória. E a prova disto é sobejamente conhecida, já que ao longo dos anos que se seguem, nem a fama nem a glória, vão exercer qualquer efeito na sua personalidade e muito menos no seu comportamento, social e profissional. António Pessoa nestes primeiros anos da década de noventa compra um novo apartamento em Vila Nova de Gaia, deduz-se que como simples investimento, já que de seguida muda-se para o Algarve. Durante cerca de dois anos, vive, namora, trabalha e deleita-se no seu espaço favorito de Portugal. Aqui, em Armação de Pêra, produz as suas primeiras telas panorâmicas de grande dimensão e de temática essencialmente histórica, exaltando o passado glorioso de Portugal, bem como alguns dramas que a todos nos dizem respeito. Desta época pode-se fazer especial alusão e referência à Conquista de Lisboa, Aljubarrota e 1755. Alfredo Moreira não se deixando surpreender, já que por então menos do artista sabe que não pode esperar, não deixa contudo de sentir uma crescente admiração por António Pessoa, pela sua prolífera imaginação e muito particularmente pela sua quase sobre humana capacidade laboral. Os ares e a vida do Algarve, como sempre aliás, são de um modo geral, benéficos para o artista, contribuindo enormemente para um perfeito estado anímico como também para uma excelente condição fisica. A sua relação com Armanda Lamy, algarvia de gema e tradição, dá-lhe o equilibrio necessário para que se sinta no seu absoluto elemento. Viajam à noite por todo o Algarve e ao fim de semana são frequentes umas escapadelas a Sevilla, Vila Nova de mil Fontes, Évora e até Lisboa. No entanto, apesar do panorama idilico e ideal e como não há Bela sem senão, a relação entre os dois começa a deteriorar-se à medida que Armanda Lamy parece dar sinais de pretender muitissimo mais do que a Arte de Bem Namoriscar em Toda a Sela! António Pessoa, já pai de dois filhos e divorciado, não se sente à altura de semelhante compromisso. Ele e Armanda Lamy já levam um ano juntos e para o artista, tal como tudo o que é bom acaba, parece-lhe que a situação chegou a um grau de tensão insustentável. Começam as suas viajens cada vez mais frequentes ao Porto até ao dia em que decide ficar. Infeliz com a forma como tudo terminou, o artista entrega-se freneticamente ao trabalho, criando nesse ano em que de regresso volta a viver na cidade Invicta, um impressionante desfile de óleos sobre tela, acrilicos e aguarelas. Porém o Porto irremediavelmente entristece-o, provoca-lhe essa indomável e inexplicável sensação de nostalgia e penumbra emocional. De passagem por Vila Nova de Cerveira com o seu filho que aí estudava, resolve dar uma vista de olhos mais além do rio Minho. Galiza. Vigo!!! E aqui, em meados dos anos noventa, mais precisamente em 1996, dá-se o inicio da sua mundialmente conhecida Época Romântica e igualmente o inicio propriamente dito da sua brilhante carreira no país vizinho. Contudo, de minha justiça digo eu, não convém nem podemos esquecer de que foi no Porto, Portugal, onde António Pessoa, pelas mãos de Alfredo Moreira, obteve a sua primeira grande oportunidade, a qual, e a César o que é de César, o artista soube aproveitar com o brio, entusiasmo, honestidade e capacidade de trabalho que são, por assim dizer, as caracteristicas da sua marca! António Pessoa consegue um mega espaço não muito longe de Vila Nova de Cerveira, rodeado de bosques e dos bons ares da natureza com uma espectacular vista e bons vizinhos, rústicos mas de boa fé. As suas visitas a Cerveira ao principio assiduas tornam-se cada vez menos frequentes. De algum modo a ideia que tinha da terra de facto aos seus olhos acabou por não corresponder às expectativas. Alguns meses mais tarde António Pessoa descobre aquele que vai ser o estudio Atlantis, justamente em frente à praia do Samil, Vigo. Este vai ser durante cinco maravilhosos anos o seu atelier, casa e paraíso celestial. Vigo oferece-lhe aquilo que o Porto nunca teve, a capacidade de conceder-lhe"La Fiesta de la Vída", alegria, noites escaldantes,"La Movída" espanhola e amigos para toda a vida. Neste ambiente, acaba por reencontrar-se e neste ambiente se inspira para concretizar efectivamente a sua mais intensa e frenética epopeia plástica. A Época Romântica! Ainda que a principio dilacerado pelo estado obsoleto em que a arte galega se tinha deixado adormecer, António Pessoa de alguma forma sabe superar esta realidade concebendo novas e mais contemporâneas versões imprimindo-lhes o exotismo necessário e a sexualidade ainda que sabiamente camuflada, adicionando os seus próprios ingredientes e especiarias através de uma culinária plástica estranhamente híbrida e ao mesmo tempo concentrada num modelo de linguagem e expressão artistica globalmente uniforme. Parece-me oportuno mencionar que António Pessoa, sempre fazendo justiça à sua reputação e cada vez mais igual a si mesmo, mesmo dando-se o indiscutivel caso de não ser de seu estilo fazer qualquer tipo de cedências, é e sempre tem sido sintoma da sua natureza como artista e comunicador, ir ao encontro do público utilizando uma linguagem plástica compreensivel. António Pessoa, um pouco em jeito de graça, conta que certa vez o Prof. Eduardo Calvet de Magalhães, fundador da escola e galeria Árvore do Porto ,lhe disse directamente"você ,António Pessoa, é um pintor maldito, sabe o que as pessoas gostam e dá-lhes!" Há de facto uma mais que certa verdade nesta afirmação, seja com retoque ou com mais ou menos subtileza, o certo é que o artista sempre aplaudido por muitos e criticado por poucos, toma desde o inicio da sua carreira esta posição tipicamente Hollywoodesca, não tanto por calculismo adquirido mas sim de facto por natural genética tendência levando-o a absorver e logo e por conseguinte a espelhar as sugestões culturais, sociais e ambientais que mais lhe estão próximas. De bom presságio, esta caracteristica da sua natureza, vistas bem as coisas, de facto tem-lhe trazido mais beneficios que desvantagens. António Pessoa,qual Camaleão,ainda que sempre patente o selo do seu estilo de pose, jeito e pincelada, muda de temática como quem muda de camisa, esgotando todas as possibilidades e mais importante não permitindo que o tédio de maneira nenhuma invada o espectador, como um longo desfile de obviedades de nos fazer dormir e bocejar por mais. E é com estas e com outras que a partir de 1996,um artista luso entra em Espanha e sem muito hesitar, começa a deitar cartas na mesa. Conhece o galerista Carlos Alvarez, quem se apaixona imediatamente pela sua pintura, Alpide Villa Rodriguez, um dos maiores coleccionadores de arte em toda a Galiza, Faustino Moiños ,um jovem mecenas à maneira e por então dono do charmoso pub-galeria Pianíssimo...onde António Pessoa para além de expôr e bem vender as suas obras, encantava a noite viguesa com a sua soltura e sentimento musical no piano de cauda que hoje tem a sua assinatura... ...e finalmente, aquele que viria a ser o administrador da obra de António Pessoa em Portugal e norte de Espanha, Vicente Fernández Lago. Em 1998 Fernández Lago patrocina um dos mais importantes, controversos, originais e eruditos catálogos do artista português. The Black and White album ou El album Blanco y Negro. Uma primorosa selecção de cerca de 300 desenhos, grafite e carvão sobre papel, nos quais o artista decididamente revela ao público as suas capacidades técnicas e de pura expressão visual, plus um calibre de qualidade só testemunhado nos esboços de um Leonardo Da Vinci, Salvador Dali, Pablo Picasso, Matisse e Rembrant. The Black and White album despertando na altura um considerável interesse, acaba por obter ao longo dos últimos anos o aplauso entendido da nova geração de criticos de arte, nomeadamente Marc Gilot, Anneke Frenken, Carol Damisch, Arturo Bermejo, Isabel Lostal, Ariana Martínez, Ulrike van Brug, Arthur Zimmerman, Carmen Olaya, etc... Escusado será mencionar Jacob Kotsky, já que para além de amigo pessoal do artista, é sem sombra de dúvida o maior entendido em tudo o que diz respeito a toda uma ampla dimensão envolvendo o personagem, vida e Obra de António Pessoa. Inocentemente, em 1998, o artista português acabava de provar que na sua Obra não há truques nem camuflagens tecnológicas, não por sistema e decididamente jamais por necessidade ou falta de técnica e talento. Com o album Blanco y Negro, António Pessoa em terras de Espanha colhe um eco muito mais além das suas próprias expectativas, afirmando-se como "Maestro", como um dos últimos dinossauros do prestigioso conceito da velha e tradicional Escola das Belas Artes! No entanto e apesar de que as criticas ao The Black and White album não pudessem ter sido mais favoráveis, em termos de vendas reais não foi grande coisa. Os coleccionadores continuavam a preferir os óleos sobre tela, seja por snobismo, por tabu ou por puro investimento. E uma vez mais, neste campo de, digamos, matéria prima, António Pessoa estava no seu elemento, domínio e território. Aproveitando as lendas e mitos celtico-galaicos, declara uma feroz guerra às telas em branco plasmando contos e histórias onde "meigas", corcundas, gaiteiros, duendes, arlequins, frades e monjas, fantasmas, anjos e arcanjos coexistem num todo alegórico e cinemático. Ao emaranhar assim o verossimilhante e o fantástico, António Pessoa vence, conquista, convence e encanta, pintando e dizendo que as fantasias estão irremediavelmente entranhadas no mundo factual e é absolutamente inútil e contraproducente separá-los! Agora sim, em óleo sobre tela, António Pessoa já não necessita de mais argumentos e Galiza recebe-o de braços abertos, em vendas, status social, prestigio e devoção. António Pessoa em 2001 e já casado com Irene Luz Iglesias Dona, já é cidadão espanhol, artista português e património galego! António Pessoa, hoje é mais que um artista, mais que um comunicador do universo plástico contemporâneo, mais que um modelo que muitos colegas de oficio e profissão tentam seguir. António Pessoa hoje é uma Marca, uma referência exacta dentro do núcleo artistico total. Um jovem artista prematuramente bem instalado no projecto de vida, familia e profissão que ele e os seus colaboradores souberam inteligentemente conceber, pacientemente estruturar e agora, em jeito de manutenção vão seguindo o mesmo critério de dinamismo, sobriedade e equilibrio, elementos os quais justamente se adaptam como uma luva à personalidade contemplativa do artista. Entre a figura pública e o homem, existe a mesma diferença que entre o dia e a noite. É muito frequente ainda que muitos se enganem na hora de avaliar António Pessoa, não na sua indiscutivel qualidade artistica, mas sim na sua postura pessoal perante a vida, perante si mesmo, perante os que o rodeiam e num caso muito particular e crucial, perante o mercado da arte e todos os que nele estão directa ou indirectamente envolvidos. Frequentemente criticado por ser arrogante, altivo e até déspota, apenas felizmente, por aqueles que não o conhecem, para não falar dos invejositos de meia tigela que da má lingua se viciam porque melhor não sabem fazer nem dizer; António Pessoa sem grande esforço, diga-se de passagem, faz ouvidos de mouco, já que tudo joga a seu favor para dar-se ao luxo de não fazer caso a escupidelas sem saliva e mordidelas sem caninos. Nada melhor que para um pintor do seu calibre para pura e simplesmente estar-se nas tintas...e mesmo que não estivesse, verdade seja dita, também não teria tempo para isso! Claro que me refiro essencialmente a galerias de arte da segunda divisão que pensam que são grande coisa, aparentando aquela altivez saloia dos pobres pretensiosos a Jet Set com patéticos ares de snobismo de curso por correspondência, uma formação artistica empiricamente insuficiente e pior de tudo uma perspectiva do mercado de arte global absolutamente obsoleta e desqualificada. Uma vez mais, perante esta hilariante realidade, António Pessoa desconsoladamente não tem outro remédio que recorrer (metaforicamente falando) a anestesia local! Desliga, esquece e ponto final. Hoje, como se não bastasse o Ciclo Zodiaco para lhe tirar toda a produção actual das mãos e garantir-lhe um nivel de vida muito mais além das suas necessidades básicas, por assim dizer... Hoje, como se não bastasse o infinito leque de luxuosos hoteis prontamente disponiveis para expõr a sua Obra... Hoje, artista António Pessoa, é um profissional que sabe com milimétrica precisão aquilo que quer, como, quando e onde... e em que bases de acordo e modelo de trabalho poderá eventualmente colaborar com as Top galerias de arte. Isto nada tem a vêr com arrogância, mas sim, aliás como qualquer cidadão com dois dedos de testa pode facilmente concluir, com um elevado grau de exigência, um notável calibre de honestidade, postura, atitude e principalmente um imaculado sentido de profissionalismo! É este António Pessoa um corajoso homem que sobreviveu com notável dignidade e dedicação, a todos estes anos de boas e más experiências no mercado da arte contemporânea, absorvendo e assimilando conhecimentos, ensinamentos, calo e maturidade. Ao que tudo indica o artista e comunicador ,Hoje... prepara-se tranquilamente para o Amanhã, na certeza porém de que na pior das hipóteses tudo irá ser estruturado da única forma possivel. À sua maneira! Por conseguinte, o inventor da New Era, ainda vai dar muito mais que falar, mas decididamente à sua maneira e tudo o que não vá de encontro a este nobre conceito é o mesmo que dizer que nunca aconteceu nem vai ter lugar. António Pessoa deste modo e desta maneira, acaba não só por estar no mundo da arte com nobreza, prestigio, dignidade e profissionalismo, como também por enobrecer, prestigiar e engrandecer a classe dos jovens artistas plásticos. Efectivamente desde há uns tempos até à data , António Pessoa é sistematicamente consultado por colegas artistas de todos os cinco continentes, pedindo-lhe conselhos na esperança de obterem respostas a infindáveis e tumultuosas dúvidas, na esperança de sentirem nas mãos o molho de chaves capaz de abrir algumas portas deste mundo elitista e impiedoso que é o mercado de arte hoje em dia. António Pessoa, um homem com o mundo nas mãos, não se esforça por aparentar humildade, pois a sua é legitima, natural e latente. Um artista português que embora tranquilamente soberano, não deixa para amanhã o que pode fazer hoje. Um homem sobriamente tranquilo, porém decididamente um homem de acção. Sem dúvida as qualidades flagrantes que o têm transportado sem especial esforço até ao lugar ao sol onde hoje se encontra, não menosprezando a sua inegável genialidade ,esse talento exuberante e abundante, o qual aliado a uma estranha e rara capacidade laboral, fazem a quimica, o Todo, o fenómeno, a marca António Pessoa. Amanhã, que é quando o hoje deixa de ser hoje para ser ontem,o artista português uma vez mais viaja a Nova Iorque, Chicago, Los Angeles e San Francisco para reestabelecer o ideia do seu Projecto.Escusado será dizer que não serão necessários grandes preâmbulos de retórica, nem exaustivas sessões de negociações bilaterais, como quem desesperada e obstinadamente busca soluções mediocres "alternativas". Efectivamente, António Pessoa desde há muito tempo que leva "take it or leave it" escrito no brilho do seu olhar, na imobilidade desconcertante que só uma profunda segurança e tranquilidade permitem. E como se tudo isto não fosse mais do que suficiente, a New Era do artista luso atingiu o centro do alvo, apanhando o mundo intelectual de surpresa e colocando o conceito de arte contemporânea numa situação embaraçosamente dificil. António Pessoa, sem tirar nem pôr, sem pré-avisos, enfadonhos preliminares, voluminosas teses nem conferências de imprensa, deu o seu vanguardiata conceito denominado Contemporary Plus como dado adquirido, pintado e assinado. Dito e feito, sempre invariavelmente à sua maneira! E à sua maneira será! Contemporary Plus, fez com que a muitos se lhes caissem os dentes, ainda não de todo recuperados do impacto da New Era - António Pessoa, o conceito aparentemente inocente e aparentemente simplesmente estético de Contemporary Plus, vai tomando gradualmente uma função clinicamente devastadora, de facto provocando um efeito que vai fazendo com que a noção de arte contemporânea seja uma corrente digna de museu, dignamente "démodé",elegantemente ultrapassada e historicamente arquivada! E a questão que fica por agora suavemente pairando no ar, é: Que mais cartas-surpresa terá António Pessoa escondidas na manga? Um Ás de Ouros? Casa da Calçada . Relais & Châteaux AMARANTE ~~ PORTUGAL tel . 00351 . 255 410 830 ffafonso@casadacalcada.com www.casadacalcada.com Exposição de pintura de António Pessoa, na Casa da Calçada . Relais& Châteaux, inauguração dia 12 de Maio 2007 pelas 19:00 e patente ao público até 12 de Agosto,2007. Retrospectiva da época Romântica, 1997- 2002, realizada em Vigo, Galiza e uma das mais importantes colecções do artista. Por muito estranho e até exaustivo que possa eventualmente dar a entender, nunca é demasiado desenvolver novas abordagens em jeito de mera análise e se assim o desejamos até de contínua investigação, sobre a mundialmente badalada Época Romântica de António Pessoa, que como é do conhecimento geral consta de um espaço de tempo entre 1997 e 2002. Informa-se repetidamente porque nunca é demais salientar, que estes cinco anos são de especial relevância primordialmente pelo calibre de super-produção a qual efectivamente a distingue e a destaca de tudo quanto foi feito em tão reduzido espaço de tempo por artistas de todas as nacionalidades nos últimos cem anos, com excepção de uns poucos, designadamente Pablo Picasso, Salvador Dali, Jackson Pollock, Diego Rivera e talvez Fernando Botero. Infelizmente, apesar do grande desenvolvimento técnico, estético e até filosófico-criativo que António Pessoa tem de facto demonstrado desde 2003 até aos dias de hoje ,é bastante improvável que o artista português volte a repetir semelhante proeza, pelo menos em termos quantitativos. De facto a Época Romântica de António Pessoa vai-se tornando mais famosa e mais consagrada justamente em proporção aos anos que nos separam do fim da mesma, por variadissimas razões mas essencialmente pela quase sobre-humana abundância de unidades pictóricas, sejam desenhos, aguarelas, acrílicos sobre papel, collages, toda uma infindável gama de técnicas mistas e claro, a grande obra por excelência, óleos sobre tela, centenas dos quais de grandes dimensões. É de sublinhar a satisfação que todos partilhamos com esta mostra de pintura de excelente qualidade, particularmente tratando-se de uma das mais belas cidades portuguêsas e sem minimizar a felicidade do artista em saber a sua obra uma vez mais disponivel para o público nacional. O Pincel ataca de novo! The Brush strikes again (O Pincel ataca de novo ) é o retomar da colecção Art on White iniciada em 2006 e agora surgindo numa refrescante e nova versão de 2007,uma premonição de futuros trabalhos do artista, naturalmente uns mais felizes do que outros como não podia deixar de ser. Longe ainda está o separar o trigo do joio para aquilo que inevitavelmente um dia será o Best Of 2007. A colecção Art on White 2006 de António Pessoa teve o aplauso do público, dos criticos de arte e de alguns galeristas os quais um a um foram considerando Art on White como uma das melhores séries deste artista plástico desde o celebérrimo Black and White album 1997-1998. Talvez a mais relevante diferença é o facto de António Pessoa hoje em dia parecer ter-se livrado de algumas demasiado obvias influências que dez anos atrás o bombardeavam incessantemente no exercicio plástico e até no pensamento. Talvez o interregno de 2005 tenha sido afinal de contas o tempo de reflexão necessário a um corte drástico com os fantasmas do passado, ou talvez simplesmente o nascimento de uma nova filosofia de vida dando lugar a uma nova perspectiva plástica e consequentemente a uma nova linha estética. António Pessoa em 2006 surpreendendo todos e mais ninguém surge mais além do conceito average contemporâneo com The NEW ERA . A chuva de boas e más criticas não se fez esperar. A predominância de um positivismo geral falou por si mesma e The NEW ERA foi recebida com entusiasmo e alegria, sem grande espalhafato nem levantar muita polémica. Para polémico já temos o artista, bem mais controverso que as suas próprias criações artisticas. Este é o boca-a-boca e é realmente verdade. A minha humilde opinião como critico e professor de pintura e História de Arte, pode até eventualmente ser talvez a mais objectiva, dado que a minha relação com o artista é coisa recente, ao contrário de Luis Santiago, Vicente Fernández Lago, Pierre Fontanals, Nancy Igartiburu e naturalmente Jacob Kotsky, que são colaboradores e amigos intimos de António Pessoa ,já de longa data. A minha análise, a qual confere-me o direito de me manifestar segundo o modelo em vigor de livre expressão, leva-me a concluir uma infindável teia de contradições tanto na vida como na obra do artista. E a conclusão à qual eu chego é que com António Pessoa há que forçosamente separar o trigo do joio e o homem do artista. De uma modo geral considero que a obra de Pessoa é excelente, não pretendendo com isto dizer que penso que tudo o que ele dá à luz é bom. Estou plenamente convencido de que o próprio artista tem nitida consciência deste eventual desnivel de qualidade, coisa que segundo me consta não parece consistir numa preocupação para o próprio mas sim uma realidade inevitável a uma sempre contínua mega-produção, o que é o caso. A extenuante salgalhada de influências que marcam a Época Romântica de António Pessoa, 1997 - 2002,onde modelos como Francis Bacon, Georg Baselitz, Pablo Picasso, Henry Matisse, Paul Cadmus, Alberto Giacometti, Vieira da Silva, Frank Stella, Miró, Andy Warhol e até mesmo Salvador Dali... parecem ter sido arrumadas, empacotadas e enviadas por correio para o reino do esquecimento. António Pessoa, milagrosamente surge com The NEW ERA em 2006 mais do que nunca igual a si próprio. Obras como August Storm, The Brain e Contemporary Plus, entre outras, marcam a diferença, acentuam um certo minimalismo e estudada simplicidade conceptual, deixando claro um apuradissimo critério de qualidade e ao mesmo tempo conservando a riqueza das cores e das formas da mais bela tradição das Belas Artes. World Art Gallery António Pessoa. The NEW ERA World Art Gallery . António Pessoa foca especialmente a sua mais recente e mais contemporânea linha de trabalho. A Nova Era, "The NEW ERA ", iniciada na Primavera de 2006 e recebendo posteriormente as melhores criticas e um interesse geral por parte do grande público. A Nova Era de António Pessoa segundo a critica especializada, foi muito mais além das tão repetitivas últimas tendências da arte contemporânea, o que aliás não é de estranhar tendo em conta o elevado calibre técnico e cultural do artista já para não adiantar longos discursos sobre a sua sobejamente conhecida e admirada experiência e veterania em Atelier. Um dos principais objectivos de World Art Gallery. António Pessoa é de facto dar a conhecer ao mundo não só a obra do artista português, mas também fornecer uma nova imagem de Portugal num contexto internacional e muito particularmente visando uma elite erudita e culta, sensível não só às artes plásticas como a um todo global no qual sem dúvida Portugal deve ter cada vez mais um papel de destaque e prestigio. Esta tem sido a persistente visão de António Pessoa aplicada a uma energia e sentido de trabalho de equipa cujos resultados já se podem visualizar, sentir e assimilar. World Art Gallery não é meramente um espaço online mas sim um projecto que engloba uma quantidade de informação ultrapassando o dominio das artes plásticas e açambarcando um modelo português, ainda que protagonizado por António Pessoa, acaba por lançar a curto, médio e longo prazo, uma certa imagem de Portugal e seguramente uma boa imagem aos olhos do mundo erudito. Este tem e continua a ser o nosso modelo de trabalho, realizado com o genuino prazer de todos os que se envolvem num plano de acção segundo convicções genuinas, as quais ao fim e ao cabo têem sido o nosso denominador comum. Só o futuro o dirá, porém parece-me oportuno adiantar que esta viril personalidade chamada António Pessoa, honra a cada momento a memória dos Grandes Portugueses de todos os tempos. Envolvido num arrojado projecto internacional, Worldwide, o artista português conta de antemão com o apoio de colaboradores em vários campos de acção, intervenção e divulgação, de diversas regiões da Europa e Estados Unidos. Este multicultural aspecto desta grande equipa internacional faz o fascinio e o bonito deste projecto, o qual para além da promoção da obra de Pessoa, acaba por defender valores que tanta falta nos fazem, num mundo cada vez mais individualista, robotizado e materialista. Tal como a obra e todos os sonhos deste artista, World Art Gallery não se limita a falar insipidamente de cores e formas, mas sim salientar a verdadeira mensagem de cada quadro, num esforço continuo e cheio de prazer e orgulho em manifestar uma postura sublimemente positiva e extremamente humana que afinal de contas é o selo inconfundivel de um grande português no mundo das artes e da comunicação global chamado António Pessoa. The Patron António Pessoa, 2006 Após quase um ano de interregno,2005,em que o artista viaja permanentemente tanto por questões profissionais como por mero lazer, talvez por um lado necessitando de um longo periodo de reflexão e de uma nova contemplação do mundo e por outro lado satisfazendo a urgência de estabelecer novos contactos ; surge em 2006 com um novo look na sua arte visual, surpreendendo tudo e todos e muito provável até que surpreendendo-se a si mesmo. Utilizando um nova fusão de técnicas mistas, desde collage, digital work, fotografia, aguarela e acrilicos, plus uma combinação de cores e formas cujo resultado é quase sempre um impacto visual marcando súbita presença, não contundente mas sim meramente impositivo, ainda que predominantemente cativante e motivador. "The Patron", O Mecenas, é talvez das obras mais atipicas da expressão da New Era, deixando ainda transparecer vestígios da Época Romântica, e até do periodo de Barcelona e Chicago. Apesar de feições contemporâneas, "The Patron" sugere um certo ar de neo-cubismo, ou até um pouco ao estilo de Georges Braque, um toque de revivalismo em plena Nova Era muito ao jeito das obras dos tempos de Vigo. Um quadro repleto de propositado mistério, muito no estilo desconcertante do António Pessoa dos velhos tempos, adivinha-se que se trata de um auto-retrato não só pelas nitidas parecenças do olhar como pela pose que mal se vislumbra mas que se sente. Pouco mais posso adiantar sobre "The Patron" sem a sempre conveniente informação fidedigna de Jacob Kotsky, a não ser a minha leitura mais ou menos objectiva, pouco ou muito subjectiva. Só realmente o tempo e o distanciamento necessário e imprescindivel poderão fazer uma mais justa avaliação e análise deste quadro,como aliás costuma ser a regra geral, ainda para mais sendo "The Patron" uma obra fora do contexto visual da New Era de António Pessoa,2006. Matters of the Flesh António Pessoa . 2002 Esta técnica mista sobre tela , "Matters of the Flesh",não sendo certamente dos melhores trabalhos do artista realizados em 2002,é contudo bastante representativo tanto das suas inquietações de nivel pessoal e privado como também das mudanças de critério plástico a que se propunha mais uma vez. Segundo Jacob Kotsky e mesmo Pierre Fontanals, existe um certo mistério envolvendo o verdadeiro significado desta obra. A relação de António Pessoa com a sua esposa Irene Luz Dona, atingia em 2002 o seu estado mais caótico onde , segundo parece , as ambivalências eram o pão nosso de cada dia. Irene mostrava-se cada vez mais uma mulher possessiva ao ponto de uma obsessão crónica e António Pessoa por então já detentor de uma das maiores colecções dos nossos tempos, começava a dar visiveis sinais de saturação de Vigo e de todo um provincianismo artistico que em vez da graça que lhe dava anos antes, agora parecia provocar-lhe uma angustiante fobia. Segundo algumas insinuações de Jacob Kotsky, este "Matters of the Flesh" pode muito possivelmente tratar-se nada mais nada menos do que do retrato de Irene Luz Dona, a mulher que nessa altura submetia o artista a um estranho jogo de pressões que afinal de contas acabou por fazer com que o matrimónio rompesse pelas costuras. 2002,acaba por ser o ano decididamente menos produtivo dos cinco anos da Época Romântica de Pessoa. Ele e Irene Luz Dona agora passam grande parte do tempo viajando por toda a Espanha, Barcelona, Sitges, Ibiza, Castellón e Sevilla, vivendo em hoteis dispendiosos e já partilhando um desequilibrio emocional o qual muito mais cedo do que se esperava provocou a separação entre os dois amantes e aventureiros. Ao contrário do que muitos pensam, a Época Romântica de António Pessoa não podia ter finalizado de pior maneira, deixando atrás de si um rastro de frustração, infelicidade e impotência. No entanto, também ia deixar um rastro devastadoramente positivo na forma de uma das maiores e monumentais colecções de pintura dos nossos dias! Falling in Love António Pessoa. 2001 No ano de 2001, António Pessoa encontra-se oficialmente casado pela segunda vez na sua vida, desta vez com uma mulher espanhola, natural de Vigo, Irene Luz Iglesias Dona. A sua vida, o seu trabalho e o seu estado emocional, criativo e animico mudam gradualmente à medida que se estabelece aquela que seria uma senão a mais efervescente relação da vida do pintor português. Irene Luz Dona mostra-se à altura da situação, pelo menos nos primeiros tempos, revelando-se uma musa em toda a acepção da palavra e uma companheira de armas e de Atelier justo à medida de uma personalidade individualista e sui generis como a do artista, de inteligência aguçada e com um sentido particularmente apurado para as artes visuais. Sobre esta cinemática, maravilhosa e ao mesmo tempo turbulenta relação haveria muito que contar, em todo o caso é de sublinhar a derradeira contribuição que esta mulher espanhola deu para o fim da tão badalada Época Romântica de António Pessoa, Vigo,1997-2002. Este quadro "Falling in Love" parece-me ser mais que significativo, simbólico, na medida em que os dois se apaixonam loucamente partilhando três anos de aventuras, arte plásticas, viagens, uma especie de matrimónio predestinado a um desfilar de acontecimentos os quais iam mudar radicalmente a vida do artista, como aliás se veio a verificar. Efectivamente a Época Romântica termina no preciso momento em que os dois se separam em 2002. António Pessoa passa três meses no Algarve, um periodo de reflexão e de decisivas tomadas de decisões que iriam culminar com a sua definitiva retirada para a capital catalana, Barcelona. Ladies Night António Pessoa - 2000 Uma vez mais, António Pessoa resolve dar um ar da sua graça e muito em particular das loucas noites de Vigo. A Época Romântica reflecte a vivência urbana de uma cidade em pleno apogeu da "Movida" espanhola onde tabus e preconceitos são minimizados por uma nova mentalidade da juventude de Espanha. Escusado será dizer que a Época Romântica não deve o nome que tem por simple acaso. Efectivamente António Pessoa durante estes cinco anos pinta durante as tardes e à noite perde-se no turbilhão de boémia, bares e discotecas e inserido num amplo circulo de amigos dentro do qual a bissexualidade é encarada como a coisa mais natural do mundo. Pode-se afirmar que António Pessoa entre 1997 e 2002, pinta de Vigo para o Mundo, emocionalmente inspirado e estimulado por uma cidade que nunca dorme e onde o artista facilmente encontra a melhor alternativa à cidade do Porto já por então começando a dar tristes sinais de apatia, facto que infelizmente se foi agravando até aos dias de hoje. Neste esplêndido Ladies Night, acrilico sobre tela de 1999,António Pessoa projecta uma visão moderada de puro lesbianismo. Uma obra que decididamente não pretende provocar mas sim atenuar e muito particularmente defender o direito à diferença. António Pessoa prova que é possivel abordar todos os temas sem cair na vulgaridade obscena, pelo contrário elevar esta e cada temática a um expoente de máximo requinte, elegância e estética graciosa. É com esta atitude blasé e jovial, que afinal de contas toda a feliz Época Romântica se desenvolve, pelas mãos e Know How de um artista absolutamente afinado na sua conduta de comunicação através da arte e muito particularmente com a sempre presente noção de servir o público sem o ferir! In the Night António Pessoa - 1999 Em plena Época Romântica, já com um nome implantado na Galiza e com um mercado de braços abertos para a sua obra na vizinha Espanha, António Pessoa em 1999,produzindo mais do que nunca em toda a sua vida, sente que pode dar-se ao luxo de regressar a um tipo de expressão plástica bastante mais Pop Art e eventualmente optando por padrões de certo minimalismo e construtivismo conceptual, tudo isto naturalmente fora do âmbito do conceito visual plástico do público galego. É por esta altura que Prof. Eduardo Calvet de Magalhães, um dos fundadores da Árvore na cidade do Porto, começa a interessar-se profundamente tanto pela obra do artista como pelo original e irreverente personagem. Igualmente em 1999,Vicente Fernández Lago dedica toda a sua galeria de arte de dois andares na cidade de Vigo única e exclusivamente à pintura de Pessoa. Também em meados de 1999, Jacob Kotsky dá inicio aos seus apontamentos biográficos sobre a vida e obra do artista. Kotsky, por motivos familiares, designadamente a morte de sua esposa num violento acidente de viação em Los Angeles e da tentativa de suicidio de seu filho, resolve retirar-se para as ilhas Canarias onde ainda reside actualmente. Também no ano de 1999, depois de uma visita de estudo a Londres na companhia de Prof. Eduardo Calvet de Magalhães, começa a fazer continuas viagens a Barcelona e Sitges, muito possivelmente já idealizando um novo espaço vital para um futuro muito próximo, como aliás se veio a verificar. "In the Night" um dos quadros talvez mais emblemáticos do principio de uma rotura com a pintura galega, pode também ser avaliado como um dos primeiros sintomas de um profundo e latente desejo de mudança. E assim foi de facto! pintor Barreiro pintando um gaiteiro António Pessoa. 1998 António Pessoa em 1998 rende-se à evidência da pintura galega, decididamente não com a atitude de impotente resignação mas sim com uma saudável e lúdica postura de adaptação. Apesar da modernidade e da efervescente vida nocturna de Vigo e de toda a Galiza urbana, por assim dizer, no campo das artes plásticas verifica-se uma teimosa apetência por uma linha muito paralela às primeiras vanguardas do século vinte, coexistindo com uma abordagem temática tipicamente galega. Artistas consagrados no noroeste de Espanha como Laxeiro e muito particularmente Jaime Quessada, apesar de alto nível técnico, seguem uma estética vincadamente picassiana. Pepe Barreiro ,não foge à regra e nem demonstra vestigios de que esse facto represente para ele nem para o seu público local, grande motivo de preocupação. António Pessoa dedica-lhe este óleo sobre tela, criando um interessante jogo de contrastes algo caricatos,entre a pintura de Barreiro,a cultura plástica galega, o próprio personagem e obviamente o estilo inconfundivel de Pablo Picasso. Todo lo que imaginas es poco António Pessoa. 1998 "Todo lo que imaginas es poco", cujo título penso que dispensa tradução, é talvez o paradigma de uma fusão de estilos e modelos que no ano de 1998 de alguma forma inundavam a noção conceptual de um artista subconscientemente tentando organizar todo um leque de influências num só Todo. António Pessoa a partir de 1997,altura em que deixa a cidade do Porto para se instalar em Vigo, é violentamente confrontado com a pintura galega que lhe parece não só pueril como tematicamente centrada numa cultura a qual não parece oferecer muitas portas abertas para novas invenções e de um público pouco receptivo aquilo que por então se poderia entender por Últimas Tendências ou muito simplesmente arte contemporânea. Apesar de tudo, como é sabido, o artista luso en terras galegas ao longo dos anos que se seguem consegue de uma forma notável projectar sobre tela uma nova visão da Plástica Gallega, o que lhe concede com relativa facilidade uma entrada sem grandes obstáculos no mercado do norte de Espanha. No entanto este artista português na Galiza sabe de antemão que o seu futuro de pensamento artistico e criativo vai ter mais tarde ou mais cedo que abrir asas e voar rumo a outros hemisférios de comunicação plástica. E é precisamente nesta dimensão de discernimento, que António Pessoa opta sabiamente por conservar as suas reservas de modelo e inspiração, não só intactas como também, justamente, em plena evolução. Apesar do panorama geral da arte na Galiza, António Pessoa sustenta uma genuina admiração por alguns Mestres galegos, como Jaime Quessada, Rafael Alonso, Laxeiro, Vidal Souto e até Pepe Barreiro. Não obstante os seus planos para o presente e para o futuro englobam forçosamente outros valores de expressão plástica,tanto dos Mestres das primeiras vanguardas do século vinte, como Matisse, Marc Chagall, Georges Braque, Tanguy, Picasso, Juan Gris, Kandinsky, Paul Cadmus e Miró; como inevitavelmente e sempre Maria Helena Vieira da Silva, Andy Warhol, Francis Bacon, Frank Stella, Jackson Pollock, Fernando Botero. É pois nesta atmosfera macroclimática de modelos e influências que se vai desenvolver toda a Época Romântica, até 2002, ano em que Pessoa se instala em Barcelona para uma nova aventura artistica, social, emocional e decididamente internacional. La velada del marinaje António Pessoa,1997 - Black and White album Na retrospectiva necessária e especificamente na análise da Época Romântica de António Pessoa, nunca é demais salientar a importância do Black and White album, uma colecção de desenhos realizada entre 1997 e 1998,editada em catálogo em 1999. Nunca antes nem nunca depois o artista se presta a demonstrar os seus dons como desenhador por excelência, como nestes dois anos durante os quais consegue a proeza de concluir cerca de 800 trabalhos de carvão e grafite sobre papel. Ainda que o resultado total tenha sido de uma polivalência camaleónica a congruência subsiste muito mais no estilo do que obviamente na temática, a qual dispara continua e sucessivamente através de um universo de múltiples abordagens. Considerada pela grande maioria dos criticos como talvez a fase de mais qualidade de pura expressão artistica de toda a Época Romântica, o The Black and White album ilustra os recônditos mais controversos do artista, através de uma navegação introspectiva como analitica a qual vai conduzindo o trabalho até situações tão eclécticas quanto a então irrequieta curiosidade, espirito provocador e até um bem visivel e bem afinado sentido do caricato e do ridiculo do artista ,podiam de facto conceber. E um bom exemplo desta tese é este "La velada del marinaje",um quadro de leitura subjectiva suscitando de imediato um raciocinio abstracto, apesar de veia nitidamente figurativa, não se chega a entender muito bem a situação pretendida. Contudo o homo-erotismo aqui bem patente leva-nos a deduzir uma existência de uma certa denúncia,ainda que sem julgamentos de valor, de uma realidade bastante frequente entre seres do mesmo sexo quando condicionados a uma situação de isolamento prolongado e naturalmente desprovido da presença de elementos do sexo femenino. Muito ao contrário de Pablo Picasso, Salvador Dali e até da genial portuguêsa, Paula Rêgo, a abordagem que António Pessoa faz ao erotismo ao longo de toda a sua obra é meramente passageira, algo camuflada e essencialmente ligeira. No entanto, particularmente no The Black and White album existem um bom número de registros de teor cruamente erótico, ainda que dispersos e decididamente sem obedecer nem implicar qualquer tipo de obsessão. "La velada del marinaje" é talvez das obras do album que pode conter uma linguagem plástica especialmente crua ainda que extremamente caricata. Andalucia - António Pessoa,1997 Já com bastante experiência no país vizinho, é contudo a partir de 1997 que António Pessoa começa a sua carreira e a divulgação da sua obra em Espanha. Apesar de viver em Vigo, viaja frequentemente por toda a Peninsula, dedicando este óleo sobre tela a uma das suas regiões favoritas. Andaluzia. O seu gosto e admiração pela Festa Brava faz-se notar com bastante frequência em muitos dos seus trabalhos dos anos noventa. Apesar da crueldade do tema, António Pessoa tem o pudor e a elegância de tratar a Tauromaquia sem a vital necessidade de uma abordagem demasiado realista, que é como quem diz, sanguinária. O resultado visual é então mais emblemático que propriamente vil e contundente o que nos leva a concluir que o artista apenas pretende um pensamento meramente cultural ou até turistico, contrariamente à abordagem que Pablo Picasso durante toda a sua vida e obra fez da Tauromaquia, que como é sobejamente do conhecimento universal, era fruto de uma verdadeira "aficción", para não dizer obsessão. Neste Andalucia, 1997, António Pessoa consegue o movimento e o momento de uma tourada tipicamente espanhola, através de um curioso e original projecto de imagem dupla É de salientar o facto de que o pintor em 1997 acabava de concluir uma das suas épocas pictóricas de inspiração mais contemporânea. Convém referir que ao deixar Portugal para residir em Espanha, a partir de 1997, António Pessoa é apanhado de surpresa, primeiro com a pintura galega, depois com a pintura espanhola em geral, muito particularmente com as obras dos mestres do século vinte. Estas interferências provam ter exercido uma influência quase radical na linha da sua obra. Oficialmente, em 1997 ao passar a viver em Espanha, António Pessoa dá inicio à sua polivalente e super-produtiva Época Romântica,1997-2002. the Get Away - António Pessoa 2004 Marcadamente influenciado por Maria Helena Vieira da Silva, António Pessoa explora o tema Metropolis a partir dos primeiros anos da década de noventa. Por então trabalhando com a Galeria de Arte Almacem de Alfredo Moreira e para enorme surpresa do artista todas as obras inspiradas nesta temática são vendidas do dia para a noite, facto que logicamente leva o galerista Alfredo Moreira a entusiasmar António Pessoa no sentido de ampliar e desenvolver mais obra dentro desta linha, desejo que o artista naturalmente concede de bom grado e grande energia criativa e laboral. Com o passar dos anos António Pessoa inevitavelmente vai perdendo os vestigios das influências de Vieira da Silva, cujo resultado visual se vai tornando e desenvolvendo dentro e mais além de uma linha estética pode-se dizer que inovadora. Com a sua longa passagem por Vigo e Espanha total, o artista vai deixando gradualmente de lado este modelo que tanto lhe agrada, optando por outras expressões plásticas com bastante mais potencial comunicativo dentro do seio do público espanhol. Contudo, em Barcelona, finais de 2003 o artista decide uma vez mais retomar este fascinante mundo de panorâmicas urbanas, quer seguindo uma veia hiper-realista, quer optando por um certo abstracionismo. The Get Away ,António Pessoa, Barcelona 2004,é um óleo sobre tela de fortes contrastes visuais e cunhado por esse rigoroso,ainda que espontâneo,traço de exímio desenhador característico do pintor, coexistindo com uma privilegiada liberdade de expressão plástica e uma vitalidade de movimento e action painting notáveis Bright Changes . António Pessoa 2004 - Picasso pintando Dora Maar - (técnica mista ) Bright Changes, António Pessoa, Barcelona 2004,é o retomar da colecção Picasso painting Dora Maar. O artista uma vez mais debruça-se nos amores e desamores do maior fenómeno das artes do século vinte, Pablo Picasso e a sua estranha e perversa relação com a pintora e fotógrafa Dora Maar. Um curioso trabalho de técnica mista onde Dora Maar aparece nesta obra sem o usual toque de sofrimento com que Picasso nos tempos em que a pintou a retratava, chegando ao ponto de desarticular as formas fazendo-a parecer pouco menos que um monstro. Neste quadro, António Pessoa, muito possivelmente resolve atenuar a tensão, concedendo-lhe um ar quase angelical. Talvez por isso o titulo seja o mais adequado, proporcional aos tons suaves e pasteis pelos que o artista decide optar. Um trabalho generoso de António Pessoa no contexto febril de uma colecção abordando uma das mais controversas relações da vida de Picasso. Preto no Branco Enquanto Worldwide-António Pessoa, um projecto que realmente promete agrupar toda uma série de ingredientes de interesse geral e como não podia deixar de ser, não poupando esforços no sentido de garantir uma análise objectiva e profunda segundo um exigente critério de qualidade, por muito peculiar e até pouco erudito que pareça promete igualmente seguir uma empolgante história quase em jeito de saga, digna de uma mega-produção de Hollywood. E aqui surge naturalmente a velha questão, aliás perfeitamente lícita e razoável. E porquê? Muito bem. Porque pura e simplesmente a própria natureza do artista, aliás como têm vindo a comprovar todos os trabalhos biográficos sobre a sua vida e obra, sendo Mr. Jacob Kotsky indiscutivelmente o grande pioneiro nesta matéria, como se tem vindo a verificar desde a sua loquaz participação literária no catálogo La Época Romântica de Antonio Pessoa, com a esmerada tradução do inglês ao castelhano por Pierre Fontanals; a própria natureza do artista, dizia eu, de uma forma tão natural, espontânea e inevitável como o generalizado conceito do destino, tem-se responsabilizado por conduzi-lo desde tenra idade até aos dias de hoje, a situações perfeitamente cinemáticas, justamente tão envoltas num enredo de sedução, arte, aventuras, sexo, drama e mistério como os grandes clássicos do cinema que todos nós conhecemos e com os quais partilhamos de alguma maneira emoções, inquietações, entretenimento e até informação, cultura e conhecimento universal. A estreita amizade e cumplicidade que se gerou entre o artista e Jacob Kotsky a partir de finais da década de noventa, fez progressivamente com que António Pessoa se disponibilizasse ao longo destes últimos anos a revelar confessáveis e até inconfessáveis episódios da sua vida, os quais Jacob Kotsky começou, continuou e continua a recompilar, com notável dedicação e cuidadoso sentido de análise, efeito e causa, tanto a obra como as aventuras e desventuras da vida do artista, todo um fascinante conjunto de situações e circunstâncias as quais obviamente acabam por ser um sólido manual de consulta e reflexão, para todos os interessados em entender as oscilações temáticas, os cambios drásticos de expressão plástica, elementos estes que são sempre e obrigatóriamente o espelho mais absoluto e credivel da vida intima e pessoal do artista. Neste sentido, Jacob Kotsky tem tido um papel predominante na análise e divulgação da verdadeira essência humana de António Pessoa, bastante mais além do pigmento sobre a tela, bastante mais nua e crua do que o próprio artista esperava e até desejaria que tivesse sido, um trabalho sem pompa nem circunstância na precisa e justa medida de hiper-realismo a que nos tem habituado, sem olhar a meios nem entrando em devaneios com o simples, directo propósito e ú nica finalidade de atingir um e apenas um resultado. A verdade! A partir do momento em que António Pessoa se instala em Barcelona, 2002, e muito especificamente após a publicação do catálogo La Época Romântica, Jacob Kotsky passa a ser um primordial e imprescindivel ponto de referência no que respeita a um conhecimento cada vez mais amplo como profundo da vida e obra do artista português. Fazendo o ponto exacto desta realidade é conveniente salientar que António Pessoa por razões mais que obvias reserva a Jacob Kotsky um lugar privilegiado dentro do seu circulo de amigos, o que me leva facilmente a deduzir que o trabalho biográfico de Kotsky tem vindo a ser cada vez mais um acto de pesquisa sumamente agradável e fácil de desenvolver. O próprio espirito aberto do artista revela-se como um livro aberto, facto que felizmente em vez de condicionar uma tarefa substancialmente dificil, faz com que todo este processo de recompilação biográfica se realize com uma fluidez particularmente estimulante o que tem decididamente não só proporcionado a Jacob Kotsky uma fonte de informação disponivel a todo o momento como feito com que todos estes interessantes documentos sobre a sua vida e obra tenham chegado a um público erudito com a devida pontualidade, consistência e seriedade. Hoje, agora e com o arranque do imprescindivel projecto Worldwide, em que António Pessoa insiste e persiste na indiscutivel questão de que a lingua de Camões seja desta vez se não uma predominante pelo menos tão presente como o castelhano ou inglês em tudo o que se diz e prediz sobre a sua obra e até sobre muitos aspectos da sua vida pessoal, Jacob Kotsky, surge mais do que nunca como o epicentro de toda a credibilidade que só o estudo e o conhecimento profundo sobre determinada matéria pode efectivamente fornecer. Por conseguinte tudo o que de bom ou menos bom possa acontecer no futuro na vida e carreira artistica de António Pessoa, forçosamente será sobretudo um eco da verdadeira natureza e personalidade do artista, onde obviamente a sua vida e obra do passado mais ausente ou mais recente, é fundamentalmente o ponto de apoio pelo qual teremos de nos orientar de forma a definir uma avaliação e análise correctas, justamente tanto por uma retrospectiva necessariamente biográfica como utilizando a mesma fonte de maneira a que todos possam entender os códigos plásticos e os actos sociais da vida e obra do artista a curto, médio e longo prazo. Esperando e fazendo votos de que Worldwide - António Pessoa seja um bonito e fascinante projecto para muitos e longos anos, tudo parece estar estipulado para que este jogo de Arte e Comunicação não seja violado por estigmas como a pressa ou a ansiedade, mas sim pelo contrário que seja um omnipresente emblema de espiritualidade, paz, tranquilidade, invenção, diálogo e discernimento global. Neste sentido e neste objectivo penso que todos estamos de acordo e intrinsecamente unânimes em explicitar uma mensagem nova e positiva, oportunamente uma alternativa mais a um mundo que nem sempre nos mostra uma perspectiva nem luminosa nem especialmente brilhante. E como não só com cores e formas se faz Arte e Comunicação, o preto no branco aqui estará para o que der e vier, na certeza porém de que uma informação de qualidade é muito provavelmente o melhor que se pode oferecer a um público interessado e culto que sabe, reconhece e admite que Arte é uma expressão muito mais profunda e complexa do que possa visualmente apenas aparentar. A satisfação da tarefa e da responsabilidade de fazermos chegar a arte proporcional à própria vida é a melhor forma de partilhar um projecto que desconhece fronteiras, cores de pele, opções religiosas, politicas, status sociais e apetências pessoais. É justamente neste contexto de união sem olhar a diferenças ,mas sim fazendo das diferenças o contraponto e o bonito do diálogo e união, que Worldwide-António Pessoa se inspira e respira, sem esquemas nem camuflagens, unicamente existindo pela simples felicidade de existir, contudo consciente da autenticidade e até da importância de um estilo de Arte e Comunicação que bem ao Mundo só pode trazer! www . antoniopessoa . final António Pessoa, uma personalidade estranha e imprevisivel, tanto na obra como na vida pessoal, engana o público, os colaboradores e até os amigos intimos, sem querer e sem se aperceber de que a organização que ele próprio ajudou a criar, depende a todo o momento e a cada instante do seu bioritmo, da sua persistente vontade e como não há bela sem senão, igualmente da sua frequente oscilação de humor e até do sentido da sua própria vida. Não pretendendo eu abusar do cliché de que os artistas são todos gente dificil, convém desde já salientar que António Pessoa decididamente não é nem penso que algum dia venha a ser, a excepção que foge à regra. Se lhe atribuimos e com determinante razão as muitas qualidades que tem e que sistematicamente prova que tem, é de nossa e neste caso de minha justiça pelo menos de vez em quando tentar que o artista seja oportunamente mencionado para dar a mão à palmatória. Começo a suspeitar de que o conceito e toda a alma de Home Studio é acima de tudo o grande pretexto que António Pessoa subconscientemente concebeu para fugir às responsabilidades, e de uma forma muito razoavelmente particular aqui neste caso especifico, tendo em conta o leque de colaboradores e profissionais que dependem do estado de espirito do menino e de algumas atitudes absolutamente caprichosas que realmente sustentam a teoria de que ninguém é perfeito e muito menos António Pessoa, que eu abraço e admiro, porém não posso deixar que algumas verdades venham à superficie e até faço questão de que isso aconteça. Todos sabemos de que há dias e dias como também se diz que um dia não é dia, porém quando os dias se seguem como dias em que pensamos que é hora de avançar, António Pessoa recolhe-se no seu Paraiso extra-terrestre e não dando luz verde para adiar também não demonstra grande urgência em dar luz verde para que o projecto Worldwide comece a dar sinais de movimento, já para não falar de Feedback. Uma equação humana feita à medida do Renascimento? Penso que não seja para tanto. Contudo uma equação metafisica às vezes bastante complicada de desvendar, talento misturado com preguiça, uma capacidade laboral coexistindo com uma indole sedentária de fazer roer as unhas e bradar aos céus. O capitulo mais ou menos compreensivel de toda esta equação de boas razões e muitas contradições, deve-se ao facto de António Pessoa desde já hà uns anos a esta data, ter vindo claramente a manifestar o tédio que lhe provocam as grandes urbes como também os lentos protocolos das galerias de arte. É natural e até perdoável que o artista ciclicamente opte por uma letargia semi-tropical, levantando-se a meio da tarde para um lanche que afinal é o pequeno almoço, um pouco de trabalho, enfim, um esboço...que mesmo desenho "à la minute" temos forçosamente de admitir que o talento está patente mesmo num bocejante sarrabisco de efémera inspiração do momento, um banho de sol de dez minutos e uma noite de espontânea satisfação dos desejos... Worldwide-Antonio Pessoa pode esperar, ao artista pelos vistos que grande diferença lhe faz, a raposa velha parece já não alimentar ilusões inspiradas em fama e popularidade. Conhece-lhe os truques e os contra golpes, a pressão, a má lingua, a tensão e o pior de tudo a incómoda responsabilidade de ter de deslocar-se, o ruido, a confusão e as longas esperas e momentos mortos. O lado pouco atraente e muito pouco social de um artista instalado no seu próprio conceito de estilo de vida. Mas António Pessoa, apesar de tudo grande respeitador da liberdade de expressão, sabe perfeitamente que todos os seus actos são prematuramente avaliados pelos seus amigos e colaboradores, muitissimo mais que a sua obra que parece agradar a todos...as suas oscilações emocionais deixam muito a desejar e sobretudo quando existe um dificil e ambicioso projecto para levar a cabo, um projecto afinal de contas de sua inteira responsabilidade. Ponto e virgula, www. antoniopessoa.final felizmente não acontece todos os dias, ainda que estas ciclicas bonanças de temperatura emocional muito frequentemente arrastam-se durante semanas, quando tudo parece entrar num estado de doce e suave apatia geral como a suave brisa de Ibiza ou Barcelona outonal. Agora digo eu quase que em jeito de troça, quem sabe quando venha a Lua Cheia, Worldwide - Antonio Pessoa retome a sua energia inicial. Uma coisa é mais que certa, António Pessoa não é menino para fugir com o rabo à seringa e esta teoria está mais que comprovada. Há dias e dias e ponto final. Worldwide-Antonio Pessoa é um motor turbo que não tem a opção de fazer marcha atrás. Resignadamente há que admitir que há dias em que com o artista temos que ser pacientes,já que a sua força vital consagrou-se com tal credibilidade a tal ponto em que todos estamos seguros e conscientes de que tudo se resume a um imprevisivel e artistico fluxo emocional. Não pintando tão intensa e freneticamente como nos anos noventa, não com aquele sentido militante de cortar a respiração, como nos relata Vicente Fernández, Jacob Kotsky e David Santos, e que deu origem a uma monumental colecção de óleos sobre tela, acrilicos, aguarelas, técnicas mistas e desenhos, hoje conhecida como a Época Romântica... António Pessoa no entanto, hoje compensa esta drástica diferença numérica de produção, com um outro "savoir-faire" técnico e puramente conceptual, o selo e a marca da New Era, a possibilidade ainda não esgotada depois da exaustiva epopeia plástica dos anos noventa. Por conseguinte é justamente mais que natural que o seu ritmo emocional tenha sofrido relevantes alterações e logicamente o seu comportamento privado e social também por igual. O Ponto Final é por assim dizer um registro meramente passageiro já que parece que todos sabemos de antemão que este artista português, vivendo em Espanha ou onde quer que esteja em algum devido momento; e que prova e comprova sistemática e quotidianamente um inovador e avançado conceito visual de pura literatura plástica, na qual acaba por tornar-se objectivamente palpável uma visão erudita do mundo em que vivemos, independentemente do quase malicioso toque de pueril infantilidade que mais do que comover, atenua aquela que às vezes acaba por ser uma realidade demasiado dura para assimilar. Ponto Final ! Edward Eglowsky. Genesis Gallery Ainda Worldwide começa a dar os seus primeiros passos primaveris, já o artista António Pessoa começa a dar sinais desse vigor e vitalidade que sempre lhe provoca o bom tempo e a suave temperatura de Abril. Vestido com aquela nova tranquilidade do homem de hoje, parece que faz lembrar o ditado "devagar se vai ao longe".Ditado agora exemplificado e personalizado na serenidade predominante de um artista nas suas sete quintas, nem sempre com a faca e o queijo na mão, porém invariavelmente perspicaz nas suas análises de terreno e por conseguinte nas suas decisões. Seja como for, Worldwide António Pessoa, começa com uma breve visita a Viena de Austria, uma dessas viagens de reconhecimento muito habituais no artista; e com um assunto em "stand by" de há uns meses a esta data, referente a Genesis Gallery, em Stamford, Connecticut, Estados Unidos. Edward Eglowsky, director da galeria faz já umas largas semanas que mostrou particular interesse pela Obra de António Pessoa. Parece-me desde já oportuno e relevante mencionar o facto de que Genesis Gallery representa nomes como Georges Braque, Cezanne, Henri de Toulouse-Lautrec, Salvador Dali, Marc Chagall e claro, Pablo Picasso. Sem sombra de dúvida nem reticências, justamente a agradável e sábia companhia dos Grandes Mestres ou Monstros Sagrados do século XX, a António Pessoa não lhe faria nada mal, não fosse o caso inesperado de que para o jovem artista português esta questão de religiosamente idolatrar os mitos das artes do recente outro milénio, não assume grande importância nem significado mais do que a justa admiração que possa sentir por cada um deles. Logo e por conseguinte a coisa tem ficado em águas de bacalhau, se por desleixo de Edward Eglowsky ou se por esquecimento do artista, o certo é que nem Pablo Picasso, Dali, Toulouse-Lautrec, Cezanne e Braque ainda tiveram o prazer do mais um para parecermos muitos, enfim, que é como quem diz, vamos lá a vêr. Sobejamente popular o espirito comodista de António Pessoa, tem-lhe criado vantagens e também desvantagens, por um lado mantendo-o no seu home Studio recolhido no trabalho, no estudo e na boa companhia dos poucos mas bons amigos durante longas temporadas, por outro lado desperdiçando provavelmente excelentes contactos tanto no campo profissional como puramente social. Uma vez mais o assunto Eglowsky, Genesis Gallery, ficou pendente, como que perdido no tempo e no espaço. António Pessoa como sempre comovedoramente com pouca paciência para os negócios, vai adiando decisões que só ele pode tomar, apesar de gozar do privilégio de ter colaboradores à altura de, por assim dizer, administrarem uma eficaz e responsável gestão da sua carreira. Porém, a verdade é que contrariamente à realidade de uns quatro ou cinco anos atrás, hoje em dia todos os que com ele colaboram directa ou indirectamente estão obrigatoriamente mentalizados de que nada deve ser feito ou decidido sem a última palavra com a assinatura legítima do artista. Ainda que genuino grande admirador de Chagall, Lautrec, Braque e Picasso...Salvador Dali parece importar-lhe cada vez menos, segundo palavras do artista. Em todo o caso pensamos que seria bom que o primaveril António Pessoa despertasse desta semi-letargia de inspiração "ganha fama e deita-te na cama" e voltasse a ter aquele brilho de brio e ambição nos olhos e aquele incurável sentimento de insatisfação de há uns anos atrás que independentemente de lhe darem um certo ar de graça e jovial dinamismo, acabava por contagiar quem quer que estivesse na sua companhia. A realidade hoje é um António Pessoa cada vez mais saturado das grandes metropolis, entediantes reuniões de negócios e de check ins e check outs de hoteis para não falar dos ruidosos aeroportos que o artista cada vez mais parece irremediavelmente abominar. Se Edward Eglowsky corresponder aquele tipo de pessoa flexível e predisposto a ceder aqui e acolá, então não será de todo improvável que Georges Braque, Pablo Picasso, Toulouse-Lautrec, Cezanne e Dali tenham a seu lado o seu mais fiel discipulo, mas verdade seja dita, também o mais dificil de todos eles. António Pessoa! Antonio Pessoa Art Gallery De todos os modos e curiosamente, esta peculiar reserva em relação às galerias de arte, tem sido desde muito cedo no percurso artistico e profissional de António Pessoa, não de maneira nenhuma um contencioso ou coisa que o valha, mas sim uma opção, ou melhor dizendo, uma reacção natural e espontânea, por um lado devido à típica lentidão e falta de dinamismo de muitissimas galerias de arte, contudo entendemos que o que mais tem contribuido para este facto deve-se essencialmente à verdadeira natureza do artista encaminhando-o desde a sua adolescência para um modelo, digamos, talvez mais autónomo de gerir a sua carreira e consequentemente a sua vida privada e pessoal. Segundo os inúmeros apontamentos biográficos de Mr. Jacob Kotsky na elaboração do livro About Antonio Pessoa, é sabido que remontando aos seus tempos de Amsterdão, ainda com apenas dezassete anos de idade, o jovem artista já demonstrava os primeiros sintomas da sua intuitiva apetência por trabalhar com intermediários, desta forma, digo eu, talvez sendo afinal de contas uma certa vantagem na medida em que este modus operandi seguramente lhe permitia usufruir de mais espaço anímico vital e tempo real para assim ir paulatinamente desenvolvendo a técnica e o aprumo da sua já promissora coerência criativa. Primeiro, Gerard Meerman toma nas suas mãos a gestão comercial das primeiras obras de António Pessoa na Holanda, estamos a falar do inicio dos anos oitenta. Mais tarde Peter van Dijk interessa-se pela divulgação e venda dos trabalhos do artista português, neste caso não tanto por uma questão meramente económica mas essencialmente por motivos de cumplicidade legitima como se veio a revelar. O mesmo já não se pode dizer do americano Lee Roberts que escassos anos mais tarde viu na obra de Pessoa uma boa oportunidade de realizar dinheiro facilmente. Seja como for, o interessante desta análise é efectivamente concluirmos que desde uma tenra idade, António Pessoa parece ter encontrado neste modelo de trabalho de equipa a velocidade de acção justamente adequada ao seu ritmo de produção e temperamento. Este quase desinteresse e até indiferença por trabalhar com galerias de arte veio dez anos mais tarde a tomar proporções bastante mais acentuadas quando em finais dos anos oitenta e principio dos noventa, António Pessoa pelas mãos de Ana Ferreira Mendes começa a expôr em hoteis e casinos até à altura em que conhece Alfredo Moreira, aquele que viria a ser seu Marchante durante quase toda a última década do outro milénio. Mais tarde, já residindo em Vigo, com Vicente Fernández Lago dá-se o mesmo fenómeno de Déjà Vu, tornando-se até aos dias de hoje o administrador da obra de António Pessoa em Portugal e norte de Espanha. Apesar do facto de tanto Alfredo Moreira, então director da galeria Almacem na cidade do Porto como Vicente Fernández Lago, e proprietário da galeria Trastevere em Vigo, possuirem estes espaços, efectivamente galerias de arte, a forma como sempre trabalharam com António Pessoa obedecia a um quase modelo de exclusividade, chegando Vicente Fernández mesmo ao ponto de ter Pessoa representado como Artista Único. Com a posta em prática e em cena do Ciclo Zodiaco, já no novo milénio, atingindo o seu nivel máximo em Barcelona 2004 com mais de um milhar de clientes, António Pessoa conquista de uma forma absoluta a sua autonomia e total independência, naturalmente acentuando de um modo mais radical a sua falta de motivação directa em ajustar a sua carreira às agendas frenéticas e superlotadas das galerias de arte espalhadas pelos cinco continentes. Resumindo não restam contrapartidas de que o contraponto da situação tem o seu epicentro em meados dos noventa, quando, efectivamente e sem a necessidade de complicadas equações matemáticas, António Pessoa recebe de braços abertos as oportunidades que a Divina Providência lhe entregou assim de bandeja e que o artista soube aproveitar obviamente com a capacidade laboral a que nos tem invariavelmente habituados e o talento inegável que, verdade seja dita, em vez de lhe ter subido à cabeça, transformou-se em produção, estudo contínuo e uma especie de humildade que só os grandes homens sabem vestir sem que corram o risco de parecer mediocres arrogantes disfarçados de falsa modéstia. António Pessoa, por assim dizer, em meados dos anos noventa sente-se nas suas sete quintas nesta situação de autonomia, na qual pode-se dar ao luxo de dedicar-se de corpo e alma às artes plásticas sem qualquer tipo de interrupções e contratempos dignos de que sejam suficientemente relevantes ao ponto de termos que os mencionar. Naturalmente que o preço que teve que pagar foi um especial atraso na consagração de uma certa popularidade e reputação mundial, facto este no entanto atenuado por uma situação financeira, diga-se de passagem, muito pouco comum num jovem músico e excelente pianista recém-chegado ao mundo das artes. Nesta situação de autonomia em que tanto Alfredo Moreira do Porto como Vicente Fernández Lago de Vigo tiveram o papel de mecenas, marchante, relações públicas e administradores da obra, António Pessoa não deixa o destino ao sabor da vontade dos Deuses e inventa ou adapta à sua própria maneira um método criativo-laboral, que ele mesmo entitula Acção Directa Total. É pois em plenos anos noventa que o jovem artista usufruindo do consistente e subsistente apoio de dois mecenas que nele sabiamente apostam, nesta tranquila atmosfera de plena autonomia e num mega-estudio que fica na História como Atlantis; que António Pessoa entra, de pincel na mão e a tela no cavalete, na mais produtiva odisseia desde os mestres do Renascimento, Pablo Picasso e mesmo Dali. Esta epopeia de versões e invenções plásticas, segundo o método Acção Directa Total, acaba por ser internacionalmente conhecida como "The Romantic Period", A Época Romântica, 1997- 2002. António Pessoa, reconhece, sabe e admite que nenhum de todos estes privilégios teriam sido possiveis se tivesse optado por um tipo de mercado, digamos, mais ortodoxo, mais caprichoso, mais lento, pseudo-intelectual e muito possivelmente o derradeiro golpe de misericórdia na sua alucinante evolução através do universo Ibérico da arte contemporânea. Arte - António Pessoa - Arte . um Satélite-Espião Made in Portugal . Quando surgiu, que é como quem diz, quando surgiu a ideia e a decisão de efectivamente andar para a frente com o projecto Worldwide - Antonio Pessoa, uma das primeiras intervenções do artista e comunicador foi nada mais nada menos que bater o pé e fazer indiscutivel questão de que o público português tivesse a oportunidade de acompanhar esta que promete ser a odisseia das odisseias a nivel internacional, no idioma de Camões, ou se preferirem de Fernando Pessoa...ou ainda Saramago. António Pessoa a dado momento toma consciência de que a maior parte dos seus amigos e criticos de arte são de Madrid, Barcelona, Europa Centro e Estados Unidos. Apenas eu e Nancy Igartiburu Anderson faziamos o núcleo de expressão portuguêsa. Nancy, estes últimos anos vivendo freneticamente entre Paris e São Paulo e com graves problemas familiares, não podia comprometer-se uma vez mais com António Pessoa, pelo menos dentro de um contexto de colaboração que exigiria desde logo à partida uma dedicação quotidiana e suficientemente intensa. Mea culpa, mea culpa, porém confesso que cheguei ao ponto de tentar dissuadir António Pessoa com o simples e simplório argumento de que um país de dimensões reduzidas e escassa população como Portugal, não iria fazer grande diferença num projecto absolutamente internacional. Ainda não tinha terminado a minha tese e já António fazia uma das suas revoluções de causa, razão, lógica, patriotismo e obrigação. Em menos de uma semana calculo que tenha feito mais de cinquenta chamadas de longa duração, sem contar as infinitas trocas de e-mails e um bloco de notas onde ia organizando o assunto em questão o melhor que podia e sabia. Graças a Deus, Rafael Medina de Sousa foi a nossa salvação, um milagre justo à medida de uma situação que não tinha outro remédio que uma solução. Por seu intermédio pudemos aceder ao espirito voluntário dos mais jovens e talentosos, que para além de gostarem do trabalho do artista gozam do talento e facilidade de expressão literária com fluidez e poder de retórica mais que suficientes para um certo tipo de jornalismo de qualidade e os conhecimentos de arte imprescindíveis a uma análise profunda, legitima e genuina. Por conseguinte, com Anabela Tavares, Rafael Medina de Sousa, Gabriela Hoffman e eu próprio, acabamos por solucionar a questão e nesse fim-de-semana chuvoso e húmido de Fevereiro, 2007, encontramo-nos todos no aeroporto internacional de Faro para dois intensos mas divertidos dias de conversações com alguma borga à mistura. António Pessoa tinha ficado no seu Home Studio em Santa Eulalia, Ibiza, mas sempre acompanhando o desenrolar da novela à minha custa, pois era eu quem fazia as chamadas com o caríssimo prefixo 0034. Assim nascia Arte, António Pessoa, Arte, um projecto que até agora tem funcionado dentro de uma agradável atmosfera de companheirismo e carolice ,e algum interesse decorativo que é para mais não dizer, contando com a generosidade do artista sem descurar o seu bem conhecido genuino sentido de gratidão. António Pessoa, não nutrindo nenhum especial interesse por internet a não ser para sessões de consulta referentes a outros colegas artistas, Museus e galerias de arte da primeira divisão, desde o Verão de 2006 que se queixa sistematicamente da escassa informação sobre o seu trabalho no idioma de Camões. Assim seja feita a sua vontade, que a mim pessoalmente parece-me uma excelente tomada de posição. Não são raras as vezes em que António Pessoa sentado à mesa do restaurante frente a frente com Vicente Fernández Lago, de falinhas mansas mas sem gaguejar, lhe aponta o dedo e queixa-se da pouca divulgação que tem feito da sua obra no seu país natal. Vicente Fernández disfarçando-se de bom perdedor, arruma a questão com um "lo siento muchísimo" para em seguida lembrar ao artista que em contrapartida a sua reputação no país das castanholas foi muito mais além das expectativas e tudo isso graças a ele...a Don Vicente Fernández Lago. Estas pequenas ambivalências que segundo consta já existem e persistem desde o século passado, desta vez o artista vê-se obrigado a tomar a iniciativa asegurando-se na medida do possivel e dos recursos humanos disponiveis, de que os portuguêses amigos das artes plásticas e muito particularmente do seu trabalho possam de facto e em tempo real seguir com o minimo de diferenças de fusos horários, tudo o que de bom e menos bom se vai passando com o empolgante enredo de Worldwide - Antonio Pessoa. Worldwide-Antonio Pessoa, mais uma das ambiciosas ideias de Jacob Kotsky, o gentleman de origem polaca que desde os anos noventa que tem como prioridade quotidiana o estudo de toda a vida de António Pessoa, obra, passada, presente e futura, naturalmente nutre um interesse especial em que o projecto Worldwide tenha todos os ingredientes de uma fascinante aventura intercontinental, uma especie de trágico-comédia inevitável e comparativamente proporcional à vida e obra do artista. Ainda que António Pessoa, hoje em dia tenha acalmado e de alguma forma adquirido uma sóbria maturidade e um Know How mais próprio de um cavalheiro do que do aventureiro irrequieto de um passado não muito distante, diga-se de passagem; Jacob Kotsky talvez seja o último a deixar-se enganar, já que quanto a mim, tenho uma credível impressão de que intrinsecamente conhece melhor o artista do que a sua própria mãe, o que me leva facilmente a deduzir que toda esta bonança e calmaria na vida de António Pessoa muito provavelmente aos olhos e sentidos apuradissimos de Mr. Kotsky é justamente aquela estranha sensação de silêncio e imobilidade estática que normalmente antecede as tempestades. A vêr vamos. Seja como for, aqui ficam os votos em meu nome e em nome de toda a equipa, de que Arte, António Pessoa, Arte venha a ser um notável satélite espião Made in Portugal, não só para fazer uma cobertura informativa e analitica de Worldwide mas também que com o passar das semanas e meses possa de facto adquirir uma alma própria e autonomia suficiente para tornar-se num ponto de referência importante para muitos portuguêses e brasileiros interessados em boa arte contemporânea e muito particularmente na obra, aventuras e desventuras da Nova Era de um artista chamado António Pessoa. Atlantis, Vigo - A Época Romântica António Pessoa consegue um mega espaço não muito longe de Vila Nova de Cerveira, rodeado de bosques e dos bons ares da natureza com uma espectacular vista e bons vizinhos, rústicos mas de boa fé. As suas visitas a Cerveira ao principio assiduas tornam-se cada vez menos frequentes. De algum modo a ideia que tinha da terra de facto aos seus olhos acabou por não corresponder às expectativas. Alguns meses mais tarde António Pessoa descobre aquele que vai ser o estudio Atlantis, justamente em frente à praia do Samil,Vigo.Este vai ser durante cinco maravilhosos anos o seu atelier, casa e paraíso celestial. Vigo oferece-lhe aquilo que o Porto nunca teve, a capacidade de conceder-lhe"La Fiesta de la Vída", alegria, noites escaldantes,"La Movída" espanhola e amigos para toda a vida. Neste ambiente, acaba por reencontrar-se e e neste ambiente se inspira para concretizar efectivamente a sua mais intensa e frenética epopeia plástica. A Época Romântica! Ainda que a principio dilacerado pelo estado obsoleto em que a arte galega se tinha deixado adormecer, António Pessoa de alguma forma sabe superar esta realidade concebendo novas e mais contemporâneas versões imprimindo-lhes o exotismo necessário e a sexualidade ainda que sabiamente camuflada, adicionando os seus próprios ingredientes e especiarias através de uma culinária plástica estranhamente híbrida e ao mesmo tempo concentrada num modelo de linguagem e expressão artistica globalmente uniforme. Parece-me oportuno mencionar que António Pessoa, sempre fazendo justiça à sua reputação e cada vez mais igual a si mesmo, mesmo dando-se o indiscutivel caso de não ser de seu estilo fazer qualquer tipo de cedências, é e sempre tem sido sintoma da sua natureza como artista e comunicador, ir ao encontro do público utilizando uma linguagem plástica compreensivel. António Pessoa, um pouco em jeito de graça, conta que certa vez o Prof. Eduardo Calvet de Magalhães, fundador da escola e galeria Árvore do Porto, lhe disse directamente" você, António Pessoa, é um pintor maldito, sabe o que as pessoas gostam e dá-lhes!" Há de facto uma mais que certa verdade nesta afirmação, seja com retoque ou com mais ou menos subtileza, o certo é que o artista sempre aplaudido por muitos e criticado por poucos, toma desde o inicio da sua carreira esta posição tipicamente Hollywoodesca, não tanto por calculismo adquirido mas sim de facto por natural genética tendência levando-o a absorver e logo e por conseguinte a espelhar as sugestões culturais, sociais e ambientais que mais lhe estão próximas. De bom presságio, esta caracteristica da sua natureza, vistas bem as coisas, de facto tem-lhe trazido mais beneficios que desvantagens. António Pessoa, qual Camaleão, ainda que sempre patente o selo do seu estilo de pose, jeito e pincelada, muda de temática como quem muda de camisa, esgotando todas as possibilidades e mais importante não permitindo que o tédio de maneira nenhuma invada o espectador, como um longo desfile de obviedades de nos fazer dormir e bocejar por mais. E é com estas e com outras que a partir de 1996,um artista luso entra em Espanha e sem muito hesitar, começa a deitar cartas na mesa. Conhece o galerista Carlos Alvarez, quem se apaixona imediatamente pela sua pintura, Alpide Villa Rodriguez, um dos maiores coleccionadores de arte em toda a Galiza, Faustino Moiños, um jovem mecenas à maneira e por então dono do charmoso pub-galeria Pianíssimo... onde António Pessoa para além de expôr e bem vender as suas obras, encantava a noite viguesa com a sua soltura e sentimento musical no piano de cauda que hoje tem a sua assinatura... ...e finalmente, aquele que viria a ser o administrador da obra de António Pessoa em Portugal e norte de Espanha, Vicente Fernández Lago. Em 1998 Fernández Lago patrocina um dos mais importantes, controversos, originais e eruditos catálogos do artista português. The Black and White album ou El album Blanco y Negro. Uma primorosa selecção de cerca de 300 desenhos, grafite e carvão sobre papel, nos quais o artista decididamente revela ao público as suas capacidades técnicas e de pura expressão visual, plus um calibre de qualidade só testemunhado nos esboços de um Leonardo DaVinci, Salvador Dali, Pablo Picasso, Matisse e Rembrant. The Black and White album despertando na altura um considerável interesse, acaba por obter ao longo dos últimos anos o aplauso entendido da nova geração de criticos de arte, nomeadamente Marc Gilot, Anneke Frenken, Carol Damisch, Arturo Bermejo, Isabel Lostal, Ariana Martínez, Ulrike van Brug, Arthur Zimmerman, Carmen Olaya, etc... Escusado será mencionar Jacob Kotsky, já que para além de amigo pessoal do artista, é sem sombra de dúvida o maior entendido em tudo o que diz respeito a toda uma ampla dimensão envolvendo o personagem, vida e Obra de António Pessoa. Inocentemente, em 1998, o artista português acabava de provar que na sua Obra não há truques nem camuflagens tecnológicas, não por sistema e decididamente jamais por necessidade ou falta de técnica e talento. Com o album Blanco y Negro, António Pessoa em terras de Espanha colhe um eco muito mais além das suas próprias expectativas, afirmando-se como "Maestro",como um dos últimos dinossauros do prestigioso conceito da velha e tradicional Escola das Belas Artes! No entanto e apesar de que as criticas ao The Black and White album não pudessem ter sido mais favoráveis, em termos de vendas reais não foi grande coisa. Os coleccionadores continuavam a preferir os óleos sobre tela, seja por snobismo, por tabu ou por puro investimento. E uma vez mais, neste campo de, digamos, matéria prima, António Pessoa estava no seu elemento, domínio e território. Aproveitando as lendas e mitos celtico-galaicos, declara uma feroz guerra às telas em branco plasmando contos e histórias onde "meigas", corcundas, gaiteiros, duendes, arlequins, frades e monjas, fantasmas, anjos e arcanjos coexistem num todo alegórico e cinemático. Ao emaranhar assim o verossimilhante e o fantástico, António Pessoa vence, conquista, convence e encanta, pintando e dizendo que as fantasias estão irremediavelmente entranhadas no mundo factual e é absolutamente inútil e contraproducente separá-los! Agora sim,em óleo sobre tela, António Pessoa já não necessita de mais argumentos e Galiza recebe-o de braços abertos, em vendas, status social, prestigio e devoção. António Pessoa em 2001 e já casado com Irene Luz Iglesias Dona, já é cidadão espanhol, artista português e património galego! ARTE - António Pessoa - ARTE ! Arte, Antonio Pessoa - Arte é um conceito absolutamente português, visando uma nova aposta do artista em território nacional, com uma linguagem e expressão adequadas às nossas gentes, sem pretender entrar em pretenciosismos de pseudo-erudição, mas pelo contrário fazer chegar a arte e o artista preferivelmente a uma vasta camada da população. Estamos aqui com essa atitude apoiada pelo próprio artista, o qual precisamente acredita que é tempo de mudar um pouco as coisas ( para melhor!),no sentido de partilhar uma forma de literatura visual tão bela como as Belas Artes e quase tão bela como o belo país que é Portugal. Comentava recentemente Pierre Fontanals num artigo sobre António Pessoa para o Jornal Galicia, o estigma de Portugal viver ainda numa atmosfera terceiro mundista, referindo-se ao facto de só abraçar os seus valores ou a titulo póstumo ou quando depois de triunfarem no estrangeiro e chegados a uma idade avançada receberem por fim (que remédio) o reconhecimento atrasado do país que os viu nascer. Pensem o que quiserem, especialmente aqueles que pouco se aventuram no país vizinho, seja em trabalho ou lazer, mas o certo é que estas piadinhas subtis aos espanhois "les encanta!". Pierre Fontanals, aliás um bom rapaz e grande amigo nosso, pense ele o que quiser. Verdade seja dita aqui estamos nós para pelo menos tentar virar tudo ao contrário. António Pessoa é nosso, pertence-nos e tudo o que estiver ao nosso alcance, não pouparemos esforços em estabelecer uma relação desde hà dez longos anos em Stand By. Por estas e por outras, Arte - António Pessoa - Arte, tem como objectivo primordial aproximar o artista de Portugal e vice-versa. Se para Vicente Fernández Lago, administrador da Obra do artista na Galiza e Portugal, tanto se lhe dá como se lhe deu esta situação de "nem de mãos dadas nem de costas viradas",para Luis Santiago o caso muda de figura, já que independentemente do facto de ser amigo intimo e colaborador de António Pessoa, vive em Barcelona há mais de trinta anos e é com especial orgulho que testemunhou e testemunha a crescente reputação e cotação internacional do artista, concluindo sem o minimo vestigio de mania das grandezas que António Pessoa é um dos grandes embaixadores de Portugal no mundo da arte contemporânea. António Pessoa, para o qual esta triste "irrealidade!!" parece, enfim, coisa de pouca monta, de certeza não perdendo sequer uma hora de sono por esta causa sem causa, contenta-se e até se poderia dizer que se dá por satisfeito com a atenção global que o seu trabalho vai despertando, dando-lhe até, a bem dizer, um certo prazer em poder gozar de um quase total anonimato sempre que visita Portugal. Para Don Vicente Fernández Lago, as razões que vão alimentando esta balsâmica indiferença são mais que lógicas, pois , verdade seja dita e publicada, realiza-se bem mais comercialmente com a Obra do artista português em Espanha do que no Reino de Sócrates! Carvalho Pinto de Sousa Land! Arte - António Pessoa - Arte, é um projecto de tranquila comunicação, no idioma de Camões, apenas um projecto, não uma revolução. Os portuguêses decididamente que o merecem, justamente agora em que tão na moda está essa coisa dos Grandes Portugueses E falando no Diabo, uma coisa do arco-da-velha, já que Maria João Pires ficou nos últimos dos cem e o António Oliveira...bem mais à frente, e escandalizado ficou o Dr. Mário Soares .E esta, hein? Cá por mim, com certa razão. E a questão fica no ar! Será que os portuguêses sentem desesperadamente a falta de Grandes Portuguêses ou será que os Grandes Portuguêses sentem a falta de Portugal? Arte - António Pessoa - Arte tenta de alguma forma contribuir para a eliminação deste lapso, ainda de todo não crónico ,porém roçando a tragico-comédia. Luis Santiago(Barcelona),Rafael Medina (Lisboa-Madrid), Veronica Amaral (Lisboa),Gabriela Hoffman (Estoril) e eu própria, por agora constituimos o Todo desta transpiração de pura carolice, ainda que muito generosamente António Pessoa nos continue decorando as paredes de nossas casas com o que ele melhor sabe fazer. Pintura! E efectivamente é a pintura de António Pessoa que tencionamos divulgar ao público português um tanto ou quanto adormecido com papas de sarrabulho e "Morangos com Açucar"!!!A ideia de Luis Santiago deu-nos um entusiasmo que sem sabermos nos faltava. Merecemos finalmente uma referência cultural com pés e cabeça e decididamente pernas para andar. Arte - António Pessoa - Arte, acaba por reunir cinco pensamentos num só discernimento. Uma equipa consciente de que algo de muito importante no seio da arte contemporânea se está a passar. Um algo muito artistico, genial e muito português,o inventor de si mesmo e agora que já não restam dúvidas, o inventor da Nova Era ! Amsterdam, Nederland Enquanto os lobos uivam e os cães que ladram...não mordem, Mr. Jacob Kotsky, amigo pessoal de Vicente Fernández Lago e amigo intimo e estreito colaborador de António Pessoa desde finais dos anos 90, a partir de 2003... começa a interessar-se pela feitura da biografia do ainda jovem artista. Em 2003 escreve um sem número de artigos sobre a vida e Obra do pintor, traduzidos do inglês ao castelhano por Luis Santiago e editados na publicação do catálogo La Época Romântica de António Pessoa. No entanto só em 2006 Jacob Kotsky começa realmente a escrever a um ritmo acelerado, os capitulos mais interessantes e relevantes da vida e Obra do artista. Ainda que About Antonio Pessoa, um livro que promete e compromete, por agora não passe de uma infinidade de apontamentos dispersos e anacronicamente fragmentado, tudo indica que venha a ser muito brevemente uma realidade enciclopédica, biográfica, mordaz e sobretudo profundamente analítica. Através desta biografia o leitor viaja no tempo até aos dias em que António Pessoa vive entre Londres e Amsterdam, ganhando a vida como pianista e já estabelecendo seriamente uma forte relação com as artes plásticas. O adolescente António Pessoa entra no mundo da pintura com a naturalidade desconcertante daqueles a quem o talento não lhes falta. Num caso muito particular, Amsterdam é uma cidade em plena ebulição social, cultural e cosmopolita, o palco perfeito para um jovem curioso e irrequieto. Enquanto Portugal, mergulhado num conturbado periodo pós- revolução e pós-guerra colonial teria sido o golpe de misericórdia para um espirito sensivel e já habituado ao avanço social do norte da Europa, para António Pessoa, Holanda é um quarto de brinquedos, que é como quem diz,um epicentro de actividades diversas como música, teatro, arte...e sexo!,que o artista aproveita e assimila ,desenvolvendo a sua intuição emocional e criativa e projectando-a sem pedir licença em todas as actividades em que participa, música, teatro e finalmente a pintura. António Pessoa vive seis anos em Amsterdam (ou Amsterdão!),seis intensos e aventureiros anos trespassados aqui e acolá por algumas timidas e curtas visitas ao seu pais de origem, ainda muito a preto e branco para o apetite cromático do jovem talento. Contudo estes loucos e felizes tempos em terras flamengas, são ciclicamente interrompidos pelas inúmeras visitas que faz a Paris, Londres, Berlim e Copenhaga (Copenhagen!).António Pessoa de "blue jeans" e "moon beams",também visita Veneza, Grécia e por duas vezes Marrocos. Umas vezes só, outras vezes com amigos e por último com a sua companheira holandesa, Yvonne Smit. Também é com Yvonne Smit que António Pessoa passa os seus últimos tempos na Holanda, vivendo sete meses em Groningen e regressando a Amsterdam para uma derradeira despedida. Estamos em meados dos anos 80, quando o artista com vinte e poucos anos de idade regressa ao Porto em jeito de visita de médico, para logo viajar para o Algarve e sul de Espanha,onde durante alguns anos interrompe drasticamente a sua actividade pictórica, vivendo única e exclusivamente da música, tocando o piano em hoteis e pubs desde Albufeira até Málaga, desde Torremolinos até Ibiza. É esta ilha balear que António Pessoa visita pela primeira vez com apenas quinze anos de idade, que muito anos depois vai ser o seu cantinho paradisiaco e o seu Home Studio semi-tropical. Em 1998 o artista luso viaja de automóvel até à sua querida cidade holandesa para um reencontro depois de tantos anos. No entanto só a partir do momento em que se instala em Barcelona, António Pessoa desloca-se a Amsterdam com frequência entrando em contacto com velhos amigos e fazendo novas amizades, desta vez quase todas elas de uma forma ou de outra directamente envolvidas no mundo das artes plásticas. Em última análise se Porto é a sua cidade Natal, para António Pessoa, Amsterdam, Nederland, ficou, é e sempre será decididamente uma das suas cidades favoritas! O Ciclo Zodiaco Se muitos pensam, e a verdade é que pensam, que grande parte de êxito de António Pessoa foi tudo uma questão de sorte, estão redondamente enganados. Talvez, digamos, que muito possivelmente o artista tenha nascido com o "coiso" virado para a lua, mas o mais certo e justo é efectivamente concluir que Pessoa...António parece ter sempre sabido fazer-se rodear e acompanhar de colaboradores não só multifacetados mas essencialmente inventivos. E um grande exemplo desta teoria foi a posta en prática do Ciclo Zodiaco em 2003,já o artista vivendo e trabalhando em Barcelona. Tanto Luis Santiago como Pierre Fontanals mostraram-se à altura da situação tanto mais que a operação foi concluida com extrema eficácia, organização e actuação em termos de tempo real, aquilo que no corrente anglicismo se conhece por "Timing". O Ciclo Zodiaco, inventado por Gala e Salvador Dali em Paris em plenos anos 30, baseava-se na ideia de que cada coleccionador de arte se comprometia a adquirir um quadro do artista catalão uma vez por ano. Isto somado por algumas dezenas de coleccionadores permitiu a Gala e Dali usufruir de uma metódica situação financeira que por assim dizer lhes permitia um nivel de vida adequado às extravagâncias do casal sem deixar obviamente de mencionar o facto que esta tranquilidade económica fez com que o então jovem surrealista pudesse de facto dedicar-se de corpo e alma ao trabalho sem a necessidade de fazer qualquer tipo de cedências. Dito e feito. Pierre Fontanals conhecedor deste modus operandi, aproveitando eu desde já a oportunidade de referir e salientar o facto de que seus pais eram amigos intimos de Salvador Dali, convence António Pessoa a fazer o mesmo, ou pelo menos a editar uma nova versão da ideia. O sitio e o momento eram mais que propícios ,isto é, Barcelona 2003, precisamente numa altura em que a Obra do artista luso começa a chegar e a suscitar interesse não só na Europa como também no outro lado do Atlântico, nomeadamente Chicago e Indianopolis. Por conseguinte, mãos à obra e a arregaçar as mangas. Pierre Fontanals, António Pessoa e Luis Santiago, com a imprescindivel participação de Vicente Fernández Lago, começam a recompilar todos os clientes da Obra do artista até à data.Em 2003,segundo fontes fidedignas o resultado final ascendia a mais de um milhar de regulares. O projecto e o programa do Ciclo Zodiaco foi enviado imediatamente via postal ou e-mail, obtendo num curto espaço de tempo uma adesão satisfatoriamente surpreendente. Deste modo António Pessoa libertava-se de compromissos pouco aliciantes com galerias de arte, passando a vender directamente aos coleccionadores e a organizar exposições da sua Obra por sua própria conta e risco. A sua situação financeira triplicava de un dia para o outro, um fundo de maneio que o artista e os seus colaboradores através de um excelente trabalho de equipa não perderam tempo em investir, viagens Europa e Estados Unidos, longas estadias em luxuosos hoteis, web designers, e dinner-parties onde era convidada a elite de Barcelona, potenciais novos coleccionadores, jovens criticos de arte de toda a zona Euro e como não podia deixar de ser directores de galerias de arte, os quais mesmo não usufruindo do privilegio de se encontrarem no top 10 dos VIP, dadas as novas circunstâncias, também não eram nada para se deitar fora. António Pessoa, mais do que nunca antes, envolve-se num sistema de trabalho, divulgação e comercialização da Obra, totalmente independente do lento e entediante esquema das galerias de arte. Muito mais que proveito financeiro, estimulo laboral e satisfação pessoal, o Ciclo Zodiaco traz à vida de António Pessoa uma refrescante dose de adrenalina, inspiração, tranquilidade e decididamente, motivação. Hoje em dia e graças ao Ciclo Zodiaco, o artista luso conta com um número, a bem dizer, inconfessável de clientes regulares da sua Obra, que em última análise lhe permite dar-se ao luxo de efectivamente poder escolher as opções e situações que mais lhe agradam e certamente as mais adequadas ao seu temperamento, Obra e ambições . TODOS ESTES 10 ANOS ! Mais uma vez, depois de dois anos, Hotel Albergaria Don Manuel abre as suas portas ao público galego e do norte de Portugal para outra retrospectiva da Obra de António Pessoa. Ao que parece segundo fontes fidedignas muitas outras exposições do artista luso estão previstas aqui mesmo no jardim à beira-mar plantado. Justamente a Obra que por estas terras galaico- portuguêsas foi aqui executada pela inspiração e mãos do artista, parece que por cá fica ,pelo menos na sua esmagadora maioria. No periodo de Vigo,1997-2002 , mais de 3.000 óleos sobre tela nasceram para a eternidade no estudio de António Pessoa, para não falar das centenas de aguarelas, técnicas mistas e acrílicos sobre papel. Conveniente também é não esquecer que o controverso album Black and White foi concebido e editado no espaço destes super-produtivos anos. Após uma época de relevante trabalho do autor nos primeiros anos da década de 90,estimulada e comercializada por Alfredo Moreira enquanto António Pessoa viveu no Porto; Vigo, Galiza, Espanha recebe de braços abertos um artista português até à data desconhecido em terras do Finisterre. Vigo será, durante cinco divertidos anos de intensa fertilidade artística, a cidade onde Antonio Pessoa vive e trabalha e se apaixona pela terra e pelas suas gentes, inclusive acabando por contrair matrimónio com uma espanhola. António Pessoa acaba por tornar-se no artista luso mais conhecido em terras galegas de todos os tempos. Hoje em dia nem mesmo Vieira da Silva parece gozar de tanta popularidade. Numa terra de boa gente, mas onde os portuguêses até há pouco tempo eram olhados de soslaio, António Pessoa consegue a proeza das proezas tornando-se decididamente num excelente embaixador de Portugal. Porém, o artista desde muito jovem habituado aos pros e contras de se ser estrangeiro (...e português!) em vários paises europeus, nomeadamente em Amsterdam e Londres onde viveu durante seis anos...em terras galegas não se deixa ficar pela simples visita, mas sim acaba por ser aceite como património cultural da velha Galiza. Lorenzo Quinn,filho do mesmíssimo Anthony Quinn, em finais dos anos 90 na noite da inauguração de uma exposição de esculturas de sua autoria, nada mais nada menos que no prestigioso Club Financiero de Vigo conhece António Pessoa e incute-lhe, por assim dizer, um bichinho chamado Barcelona. O artista luso ainda solteiro e depois já casado faz diversas viajens à cidade Condal, BCN, Sitges e Castell Defels, acabando por instalar-se em Barcelona em meados de 2002. Aqui começa uma nova etapa da sua vida e muito particularmente a sua expansão na Europa e Estados Unidos. Vicente Fernández Lago, Luis Santiago, Nancy Igartiburu, Jacob Kotsky e Pierre Fontanals (entre outros) acompanham-no nesta dificil mas fascinante aventura. Brigitte Lucas e Agnès Teixidó colaboram com o projecto de António Pessoa em Barcelona e David Leonardis em Chicago.2004 é um ano decisivo na carreira do artista na medida em que por uma serie de merecidas e devidas circunstâncias é catapultado para uma nova escala de valor e reconhecimento ibérico e internacional. Talvez para desanuviar do reboliço da grande metropolis, António Pessoa em 2005 consegue uma autêntica pechincha e compra uma casa-estudio em Santa Eulalia, Ibiza, aquilo a que o artista não tardaria em chamar Home Studio.Home Studio- António Pessoa tem-se tornado quase numa lenda, como se de uma marca se tratasse, mas essencialmente o retiro paradisiaco de um homem que adora o mar, sol e natureza. Tirando partido da situação,Pierre Fontanals,Luis Santiago e o erudito Mr. Jacob Kotsky aproveitam a ideia do Home Studio para criarem um espelho mediático da verdadeira alma do artista. A partir de 2005 Antonio Pessoa regressa a Portugal e Galiza com certa assiduidade, no entanto sempre de maleta na mão e mais o seu habitual ar de resignação de um homem que no fundo o que mais lhe apraz e o faz realmente feliz é sem tirar nem pôr o velho critério de amigos amigos, negócios aparte, profissão muito bem, mas paz e sossêgo. Enquanto Vicente Fernández Lago e os seus colaboradores locais preparam uma serie de exposições em Portugal e Galiza, 2007, Antonio Pessoa faz os últimos preparativos para mais uma vez enfrentar o seu grande amor e a sua grande dôr de cabeça. Nova Iorque! Home Studio em Ibiza fica à espera do regresso do dono da casa, sem dúvida uma promessa de mais uma longa temporada de invenção, trabalho e Obra no seguimento da sua nova linha pós- contemporânea, The New Era. E ainda teimam alguns em dizer que já está tudo inventado? António Pessoa, Coração de Leão António Pessoa, sempre fiel às suas convicções, sempre fiel aos seus enraizados principios de base, não se fazendo de rogar, porque nunca foi aliás o seu estilo nem sequer pretender ser o que não é, fazer o que não lhe compete nem amaldiçoar os anjos porque o mundo está como está, ...mais do que nunca igual a si próprio e mesmo na dúvida da saudável meta-filosófica-física...seguro de si e de olhos postos no futuro, os pés bem na terra e a Arte no momento presente... recusa ou ignora propostas ou situações alheias à sua indomável vontade...não certamente por cinismo ou arrogancia, mas sim sobretudo porque ao que tudo indica nada tem a perder, o que pode muito bem significar pura e simplesmente não ter medo de perder...o que nos leva a concluir que na pior das hipóteses... só pode ganhar! No fundo e no todo, António Pessoa actua como sempre tem actuado. Imagina um quadro e pinta-o à sua maneira. "I did it my way" de Sinatra se não fôsse o infeliz anacronismo poder-se-ia pensar que este tema foi escrito a pensar em Pessoa, António Pessoa. "My way" no entanto ainda pode vir a ser o hino de um artista português ,porque nasceu em Portugal...acima de tudo um europeu, já que Europa é o seu palco favorito, desde o romantismo de Amsterdam, a cidade que o viu crescer até ao brilho semi-tropical de Barcelona, cidade onde reside e trabalha .Desde Paris, cidade por onde passou mil e uma vezes e mil e uma histórias até Ibiza, a ilha dos seus amores e aventuras de fins de Primavera. Porém a questão importante neste momento, é decididamente o seu teimoso pacto com a situação perfeita. António Pessoa rejeita situações mediocres talvez com receio a ter uma indigestão...mas em última análise, o mais certo a bem dizer, é que o artista luso é o prototipo do homem que sabe sempre o que quer. Aquilo que o torna numa Pessoa dificil, justiça seja feita à sua reputação, não será certamente um humor de bradar aos céus, mas sim um Coração de Leão que não se deixa domar nem com chicote e muito menos com palavras meigas. Simplesmente António Pessoa inventou um estilo de vida, numa selva de betão, feroz e perversamente ambígua. Por assim dizer, não querendo abdicar da sua invenção, o artista muito frequentemente diz Não! Ouvir o artista dizer que Sim, muito possivelmente é porque alguém...ou uma situação...abriu-lhe o apetite, abrindo as portas do seu Coração de Leão! A história como sempre continua, na arte, na vida, no mundo, como uma saga infinita, como só um anjo na selva poderia conceber! António Pessoa - Contemporary Plus O artista luso António Pessoa, a partir de 2006 que sem dúvida parece abdicar das suas velhas influências e interferências, rompendo bruscamente com os tradicionais modelos, mitos e os últimos vestigios da sua tão polémica, boémia e academica Época Romântica,1997-2002. Barcelona, foi desde 2002 o principio do seu Stand By necessário, o seu periodo de reflexão, consagração no país vizinho, um progresso mais que evidente a nivel de maturidade pessoal e um acumular de experiências, tudo isto inevitavelmente culminando numa transformação absolutamente metamorfósica e justamente, como não podia deixar de ser, absolutamente drástica no domínio das artes plásticas. A Nova Era - The NEW ERA, António Pessoa - é precisamente a prova inegável de uma nova tomada de consciência plástica, de intuição cromática e de expressionismo conceptual inovador. Longe estão os tempos de Atlantis, Vigo e Porto, discotecas, pubs,noites de boémia e aventuras mas acima de tudo longe estão os tempos em que António Pessoa ainda vibrava e brindava com os velhos mestres do século vinte, nomeadamente Francis Bacon, Vieira da Silva, Matisse, Picasso, Dalí, Kandinsky... para não mencionar as desventuradas influências da retrogada pintura galega. António Pessoa, despe os trajes das velhas e obsoletas vanguardas e renasce frescamente exorcisado como se de um novo personagem se tratasse. Amaldiçoado por uns e admirado por muitos, o certo é que o artista português promete um futuro artistico, humano, profissional como aliás era de esperar. Mais que contemporâneo, António Pessoa dá claramente a entender que as suas ambições plásticas vão muito mais além do "Fashion",na verdade o artista decide sem avisar dar um grande salto em matéria de invenção plástica passando do Neo para o Plus. Eu, pessoalmente ainda que não surpreendido, pois outra coisa do homem não se podia esperar, devo no entanto reconhecer - na mesma e precisa medida em que muitos jovens criticos de arte já isto têm como dado adquirido e facto consumado - que António Pessoa mais do que Veni, Vidi, Vici... ultrapassou-se a si mesmo com a coragem a que já nos tem habituados e como um dos grandes portuguêses de sempre! Alfredo Moreira - Porto . Algarve Os Anos Dourados Para todos os efeitos, pensem e digam o que disserem, a grande verdade é que foi em Portugal e muito particularmente na cidade do Porto que o jovem artista António Pessoa marca o golo da tranquilidade e do dia para a noite passa a regime de pintor profissional. Dito e feito, tiro e queda. O artista conhece Alfredo Moreira um art dealer atípico, já que de um verdadeiro gentleman se trata. Durante oito produtivos anos estabelecem uma relação de cumplicidade, amizade e profissional, estimulando e desenvolvendo uma situação de profuso dinamismo, quer no âmbito da produtividade artistica, quer no campo de estratégia comercial propriamente dita. Alfredo Moreira sabe criar, desenvolver e manter uma agenda de clientes por todo o país, enquanto António Pessoa, desde muito cedo começando a fazer justiça à sua reputação de excelente profissional... entrega-se ao oficio das artes plásticas com unhas e dentes, a um ritmo de fabricação, dizem os entendidos, só comparável a Pablo Picasso. E do dia para a noite, o jovem pintor torna-se num campeão de vendas o que leva Alfredo Moreira a não hesitar, passando a comprar pontualmente toda a sua produção. António Pessoa, independentemente do facto de aos vinte e muitos anos gozar do privilégio de uma situação financeira mais que invejável, progride a passos largos tanto no dominio técnico como nas possibilidades temáticas, de pura expressão plástica, pensamento e inspiração. Estes são os Anos Dourados em que o artista pela primeira vez na vida tem a certeza de que só há um caminho. Arte! Os seus tempos de nómada caprichoso e Dolce Vita mediterrânica iam ficando nas brumas da memória, para darem lugar a um novo periodo, uma nova maturidade e um estilo de vida radicalmente diferente. António Pessoa é agora um homem financeiramente privilegiado e artisticamente estimulado e realizado. Contudo, não por uma questão de humildade gratuita mas sim, melhor dizendo, por pura consciência filosófica; não se deixa ofuscar pelo brilho do sucesso nem se deixa ensurdeceder pelo som estridente dos clarins da vitória. E a prova disto é sobejamente conhecida, já que ao longo dos anos que se seguem, nem a fama nem a glória, vão exercer qualquer efeito na sua personalidade e muito menos no seu comportamento, social e profissional. António Pessoa nestes primeiros anos da década de noventa compra um novo apartamento em Vila Nova de Gaia, deduz-se que como simples investimento, já que de seguida muda-se para o Algarve. Durante cerca de dois anos, vive, namora, trabalha e deleita-se no seu espaço favorito de Portugal. Aqui, em Armação de Pêra ,produz as suas primeiras telas panorâmicas de grande dimensão e de temática essencialmente histórica, exaltando o passado glorioso de Portugal, bem como alguns dramas que a todos nos dizem respeito. Desta época pode-se fazer especial alusão e referência à Conquista de Lisboa, Aljubarrota e 1755. Alfredo Moreira não se deixando surpreender, já que por então menos do artista sabe que não pode esperar, não deixa contudo de sentir uma crescente admiração por António Pessoa, pela sua prolífera imaginação e muito particularmente pela sua quase sobrehumana capacidade laboral. Os ares e a vida do Algarve, como sempre aliás, são de um modo geral, benéficos para o artista, contribuindo enormemente para um perfeito estado anímico como também para uma excelente condição fisica. A sua relação com Armanda Lamy, algarvia de gema e tradição, dá-lhe o equilibrio necessário para que se sinta no seu absoluto elemento. Viajam à noite por todo o Algarve e ao fim de semana são frequentes umas escapadelas a Sevilla, Vila Nova de mil Fontes, Évora e até Lisboa. No entanto, apesar do panorama idilico e ideal e como não há Bela sem senão, a relação entre os dois começa a deteriorar-se à medida que Armanda Lamy parece dar sinais de pretender muitissimo mais do que a Arte de Bem Namoriscar em Toda a Sela! António Pessoa, já pai de dois filhos e divorciado, não se sente à altura de semelhante compromisso. Ele e Armanda Lamy já levam um ano juntos e para o artista, tal como tudo o que é bom acaba, parece-lhe que a situação chegou a um grau de tensão insustentável. Começam as suas viagens cada vez mais frequentes ao Porto até ao dia em que decide ficar. Infeliz com a forma como tudo terminou, o artista entrega-se freneticamente ao trabalho, criando nesse ano em que de regresso volta a viver na cidade Invicta, um impressionante desfile de óleos sobre tela, acrilicos e aguarelas. Porém o Porto irremediavelmente entristece-o, provoca-lhe essa indomável e inexplicável sensação de nostalgia e penumbra emocional. De passagem por Vila Nova de Cerveira com o seu filho que aí estudava, resolve dar uma vista de olhos mais além do rio Minho. Galiza. Vigo!!! E aqui, em meados dos anos noventa, mais precisamente em 1996,dá-se o inicio da sua mundialmente conhecida Época Romântica e igualmente o inicio propriamente dito da sua brilhante carreira no país vizinho. Contudo, de minha justiça digo eu, não convém nem podemos esquecer de que foi no Porto, Portugal, onde António Pessoa, pelas mãos de Alfredo Moreira, obteve a sua primeira grande oportunidade, a qual, e a César o que é de César, o artista soube aproveitar com o brio, entusiasmo, honestidade e capacidade de trabalho que são, por assim dizer, as caracteristicas da sua marca! Antonio Pessoa - Hammersmith, London, U.K. A bem dizer, António Pessoa inicia a sua carreira artística em Londres e Amsterdam. Se sim, que é verdade, que foi em Amsterdam que arrancou definitivamente rumo ao universo das artes plásticas, cidade onde reside durante mais de seis anos...foi em Londres que António Pessoa testemunhou o primeiro contacto entre a sua obra e o público. Numa casa de três andares na famosa Askew Road, Hammersmith,a poucas estações de Leicester Square, António Pessoa vive da música e nas horas livres dedica-se à pintura. Os seus primeiros trabalhos são basicamente academicos, inspirados nos mestres das primeiras vanguardas do impressionismo como Renoir, Vincent Van Gogh,Monet e mesmo Turner. Infelizmente (ou felizmente)...todos os apontamentos plásticos executados em Londres ficaram nas brumas da memória, para sempre perdidos no esquecimento do grande público, ao contrário das obras pintadas ao longo dos seis anos que vive em Amsterdam, onde ainda hoje é possivel encontrarmos em galerias de arte ou colecções privadas, trabalhos de António Pessoa dos primeiros anos da década de oitenta. Jacob Kotsky, amigo pessoal e apaixonado estudioso da vida e obra de António Pessoa, nos seus já inúmeros registros biográficos sobre o artista, faz frequentes referências a esta época extraordinária. Amsterdam foi decisivamente a cidade que lhe proporcionou a inspiração, o momento, que por assim dizer lhe despertou os sentidos poetico-visuais rumo a uma aproximação mais extensa e intensa ao mundo fascinante das artes plásticas. Contudo parece-me absolutamente oportuno e adequado estabelecer como referência exacta que é efectivamente em Londres que António Pessoa pinta e expõe os seus primeiros retratos impressionistas. No entanto, só doze anos mais tarde, já de regresso a Portugal, é que António Pessoa realmente se transforma no fenómeno hoje sobejamente conhecido, ainda que para isso outros tantos tivessem que passar ,anos de experiência, trabalho e dedicação, até aos dias de hoje em que a sua reputação depois do impacto no país vizinho, dá visíveis sinais de bem navegar tanto na Europa como nos Estados Unidos. Hammersmith, Londres, fica no entanto para sempre como um marco importante na vida de um artista português, talvez o sol nascente de uma vida que até agora tem demonstrado ser, mais que uma corajosa aventura, uma epopeia sublime através do universo da arte contemporânea. António Pessoa - Self-Bio Em finais de Setembro 2006,António Pessoa dá inicio a uma nova colecção da já popular e bem badalada série New Era. Uma nova Época desde hà já algum tempo levantando alguma polémica-ainda que ligeira- ,New Era de António Pessoa vai tomando proporções e dimensões consideravelmente serias e que sem dúvida ,pura e simplesmente promete. Self-Bio, justamente a mais recente colecção de António Pessoa, apesar de ainda a dar os primeiros passos suscita um interesse especial e particular dado que se inspira efectivamente nas memórias do artista, de conteúdo justamente autobiográfico. Após quase três anos de interregno, o coleccionador e critico de arte Jacob Kotsky, mais uma vez retoma e segue pontualmente o desenvolvimento da nova Época de António Pessoa, tanto um como o outro em mutua sintonia e muito especificamente sintonizados com o projecto em comum. E enfim, as boas noticias são que não restam dúvidas de que New Era de António Pessoa nasceu para viver uma longa vida, pois já há muito que efectivamente deixou de ser um sinal de mudança para ser uma flagrante da vida real, da Arte real de um artista que muito mais que contemporâneo é já um simbolo relevante do neo-futurismo das artes plásticas. Depois de Yellow collection, Art on white, Remix e Black on white, agora Self-Bio , independentemente do seu conteúdo temático de pura inspiração autobiográfica, equaciona inovadoras e interessantes combinações de forma e cor, um nivel técnico visivelmente superior e um dominio de impacto visual imediato - como não podia deixar de ser - absolutamente presente e melhorado. Vamos a isso! António Pessoa - Club Financiero de Vígo, 2006 - Dez Obras vendidas A inauguração da exposição de pintura de António Pessoa no Club Financiero de Vigo, parece ter ultrapassado todas as expectativas. Dez obras vendidas na noite da inauguração não deixam margem para dúvidas quanto à reputação do artista português no norte de Espanha. Nem os discursos solenes de Don Carlos Alvarez (Director da Galeria do Club Financiero de Vigo) e de Don Vicente Fernandez Lago(Administrador da Obra de António Pessoa em Espanha e Portugal) fizeram acalmar os animos da Jet-Set galega e outros que tantos do norte de Portugal. Nada ! Muitos artistas colegas do pintor davam voltas e reviravoltas pela Galeria e por todos os cantos do monumental edifício na esperança de encontrar o artista. Nada! António Pessoa, verdade seja dita e revelada,nesse preciso momento encontrava-se em Las Palmas, Gran Canaria, em casa do seu amigo Jacob Kotsky. Aí tem pintado estas últimas semanas, preparando a sua nova colecção: "The New Era ". Mais uma exposição de António Pessoa A minha aterrissagem no aeroporto de Santiago de Compostela mais a incongruente viagem de camioneta (com ar condicionado!) até Vigo, não me abrandaram o fluxo sanguíneo, pelo contrário, parecem ter sobreactivado a minha adrenalina. Regressar a Vigo e rever muitos dos meus melhores amigos é sempre um prazer indescritível. Talvez até mais que, enfim, contemplar mais uma exposição de António Pessoa, pois que vou comparecendo a quase todas ao ponto de se ter já tornado rotina. Mas onde é que está o artista? Mas aí estavam, as obras do Mestre, bem penduradas e estudadamente seleccionadas segundo um critério de lógica e temática. "Mas onde é que está o artista? Onde é que está António?" Apenas dois pintores não comparecem às suas inaugurações na Galiza. Jaime Quessada (porque é uma lenda ) e António Pessoa (porque,enfim,estava em Las Palmas). Mesmo o próprio Lorenzo Quinn - filho do famoso actor Anthony Quinn - compareceu, faz uns anos, à sua inauguração de esculturas aqui justamente no mesmo Club Financiero de Vigo, vestindo um moderno fato e gravata e fazendo honra sem sacrifício de toda a pompa e circunstância. Um Mito consagrado na Galiza Se António Pessoa é já quase um mito consagrado na Galiza, entre os seus amigos o assunto é bem diferente, já que o artista nem tem sequer idade para ser mito nem lhe parece interessar muito aparentar semelhante estatuto. Por isso todos o queriam vêr, como nos bons velhos tempos em que o artista andava pelas ruas e Pubs de Vigo em juvenil alegria e sobretudo em paz e sossego. Infelizmente, para ele e todos nós, hoje em dia a cidade de Vigo tornou-se para o artista num antro cheio de ameaças conjugais ,para não falar das constantes quezílias entre galeristas que disputam entre si pela sua Obra, onde tudo parece valer, menos mordidelas. Põe-te a pintar e deixa-te de histórias Mas resumindo e concluindo ,a inauguração decorreu às mil maravilhas e António Pessoa lá permaneceu nos trópicos longe do reboliço "viguez" e sobretudo são e salvo das garras de uma mulher com uma certa dor de cotovelo e de um razoável número de galeristas e marchantes que o "adoram" - não tanto pelos seus lindos olhos - mas mais pela sua cobiçada Obra. Regresso a Barcelona bastante exausto, contudo plenamente satisfeito por outro grande êxito de um dos meus artistas favoritos e um dos meus melhores amigos. António Pessoa, põe-te a pintar e deixa-te de histórias! Expo . Hotel Le Meridien António Pessoa regressa ao Porto en finais dos anos 80 para se reencontrar com um animado turbilhão de amigos e predestinado a conhecer outros tantos. Comodamente instalado no seu espaçoso T4, apetrechado com o excelente piano de marca Pleyel ,uma prenda vitalicia da sua avó paterna, encontra igualmente neste apartamento os metros quadrados mais que imprescindiveis para retomar a actividade plástica. Em contraste com La Vída Loca do sul de Espanha, a cidade do Porto parece-lhe envolta num manto de nostálgica melancolia. A sua adaptação a este ambiente ao principio parece-lhe rigorosamente impossivel, contudo os amigos de colégio e os novos com quem vai estabelecer relação, acabam por fazer peso na sua decisão de ficar por algum tempo. Mãos ao trabalho e em escassos meses o atelier da cidade Invicta já dá sinais de intensa actividade e mais importante sinais efectivamente palpáveis de prolífera produção artística. António Pessoa imediatamente despacha os seus piores trabalhos vendendo-os aos prestigiosos leiloeiros de Mouzinho da Silveira e a um marchante de Fonte da Moura que avidamente compra tudo o que o artista lhe disponibiliza. No entanto as suas obras primas vão sendo meticulosamente seleccionadas e armazenadas para eventos de, digamos, mais prestigio. António Pessoa conhece por fim Ana Ferreira Mendes, então sub-directora de informação da RTP Porto, com quem passa a viver em regime semi- matrimonial. Ana Mendes interessa-se não só pelo artista como pela sua arte. Prepara-lhe uma serie de exposições, nomeadamente no casino de Espinho, galeria das caves Sandman, casino da Póvoa e finalmente a apoteose desse programa tendo lugar no Hotel Le Meridien. Para grande surpresa do artista, aliciante surpresa, imagino, metade das obras expostas foram vendidas na noite da inauguração. Ana Ferreira Mendes, devido à sua posição no seio da RTP Porto, tinha feito questão de preparar uma razoável cobertura mediática, convidando os seus mais proeminentes amigos da alta esfera portuense;e como amigos dos nossos amigos nossos amigos são, a Vernissage acabou por ser um desfile de alta costura, má língua, beijinhos e palmadinhas no ombro, um patatipatatá que se prolongou pela noite dentro, mas que sem tirar nem pôr acabou por mostrar ao jovem António Pessoa que nem tudo o que reluz é ouro e que a sua Obra era altamente aplaudida na sua cidade Natal. Mas apesar de tudo e do grande êxito então, ainda não foi dessa que o irreverente artista ganhou o gosto pelas ruidosas vernissages. De facto os próximos anos vão corroborar esta afirmação na medida exacta em que António Pessoa muito raras são as vezes em que efectivamente comparece às inaugurações, quer porque se encontre num outro lugar e num outro fuso horário, quer simplesmente porque tanto quanto se sabe, sustenta a opinião de que a Obra fala por si e a presença obrigatória e protocolar de quem a deu à luz é justamente uma situação supérflua e até de inspiração exibicionista, ogo perdoável. Esta exposição não tendo sido necessariamente o despoletar de um entusiasmo latente, terá sido segundo a lei das probabilidades um binóculo de alta precisão, mostrando uma perspectiva de futuro artistico profissional, o qual como hoje sabemos de facto acabou por se concretizar. E para, enfim, comprovar a minha tese, verificamos que nos anos que se seguiriam, artista António Pessoa gradualmente vai moldeando a sua forma de viver no formato atípico que lhe é peculiar. A sua carreira desenvolve-se com soltura, sorte, organização mas também inevitàvelmente apoiada por uma razoável habilidade de liderança, porém curiosamente contrastada por um paralela postura de descompromisso, como que salvaguardando uma integridade interior, uma forma de viver e gestionar o espaço e o tempo, como só os soberanos do Renascimento sabiam fazer. Apesar de que a sua conversão a tripeiro de gema nunca se tenha por assim dizer concretizado, António Pessoa efectivamente e para sempre fica a dever à cidade que o viu nascer, o grande arranque profissional, bem como um status financeiro muitissimo acima do que se poderia esperar para um jovem artista récem-chegado ao mercado e ao mundo da Arte. E resumindo e concluindo, a exposição no Hotel Le Meridien fica como um marco histórico na vida e Obra de António Pessoa, talvez a fronteira entre o irresponsável, delicioso mundo de aventuras e o pensamento plástico erudito, desenvolvimento técnico, relação artista - temática, levado ao expoente máximo da Arte por excelência!


 

 

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